Representantes da comunidade escolar do Colégio Municipal Rui Barbosa afirmam que completaram um ano sem receber resposta da Prefeitura de Cabo Frio sobre os pedidos de diálogo relacionados ao futuro da unidade. Segundo o Conselho Escolar, ofícios encaminhados ao Executivo municipal desde maio de 2025 solicitando reuniões para discutir o tema não tiveram retorno.
Como forma de protesto, uma faixa foi instalada na fachada da escola para marcar o que o grupo classificou como “um ano de silêncio” por parte do poder público.
A mobilização ocorre em meio às discussões sobre o possível encerramento das turmas de Ensino Médio municipal em Cabo Frio, tema que voltou ao debate após tratativas envolvendo a Prefeitura, a Secretaria Municipal de Educação e o Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ).
Segundo integrantes do movimento #RuiResiste, estudantes, responsáveis, servidores e moradores da cidade defendem a manutenção da unidade, considerada uma referência histórica na educação pública do município.
Debate se arrasta há mais de um ano
As discussões ganharam força em 2025 após a comunidade escolar tomar conhecimento de tratativas relacionadas à transferência dos alunos do Ensino Médio para a rede estadual.
De acordo com informações divulgadas pelo Conselho Escolar, a proposta estaria relacionada a uma ação do Ministério Público que cobra do município a ampliação de vagas na educação infantil e no Ensino Fundamental.
A comunidade escolar, no entanto, contesta a possibilidade de encerramento das atividades do colégio e argumenta que a expansão de vagas em outras etapas da educação não deveria ocorrer às custas da descontinuidade da escola.
Patrimônio cultural de Cabo Frio
O debate ganhou ainda mais repercussão porque o Colégio Municipal Rui Barbosa foi reconhecido como patrimônio cultural imaterial do município por meio da Lei Municipal nº 3.472/2022.
Para o Conselho Escolar, qualquer discussão sobre mudanças estruturais na unidade deveria ocorrer com ampla participação da comunidade.
Em nota encaminhada à imprensa, representantes da escola afirmam que a falta de diálogo contraria princípios da gestão democrática previstos na legislação educacional e dificulta o acompanhamento das negociações em andamento.
Falta de informações preocupa comunidade
Outro ponto questionado pelos representantes da escola é a ausência de informações públicas sobre o estágio atual das negociações.
Segundo o grupo, não há clareza sobre eventuais avanços das tratativas ao longo de 2026, o que aumenta a insegurança entre estudantes, familiares e profissionais da educação.
A comunidade escolar também relata dificuldades para obter acesso a documentos relacionados às discussões e afirma que continua buscando espaços institucionais para apresentar suas reivindicações.



