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	<title>Sandro Peixoto, Autor em Prensa de Babel</title>
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	<description>Portal de Notícias da Região dos Lagos</description>
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	<title>Sandro Peixoto, Autor em Prensa de Babel</title>
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		<title>A epopeia dos cem reais</title>
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		<dc:creator><![CDATA[Sandro Peixoto]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 06 Apr 2026 14:24:19 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Sandro Peixoto]]></category>
		<category><![CDATA[100 reais]]></category>
		<category><![CDATA[Búzios]]></category>
		<category><![CDATA[crônica]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Tempos atrás eu tinha uma loja de conveniência na Praça Santos Dumont, a Glamour Zero. Um dia, o funcionário me ligou e perguntou se eu não poderia ficar um pouco na loja pois ele teria que fazer um depósito bancário para pagar a mensalidade da faculdade do filho. Óbvio que disse sim, pois um pai [&#8230;]</p>
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<div class="prens-post_esquerda_inicio prens-entity-placement" style="float: right;" id="prens-1671848023"><div id="prens-2356039199"><a href="https://www.sophiaeditora.com.br/o-homem-que-vomitava-sapos-de-victor-p-viana" target="_blank" aria-label="300 (1)"><img src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2025/09/300-1.png" alt=""  srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2025/09/300-1.png 300w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2025/09/300-1-150x150.png 150w" sizes="(max-width: 300px) 100vw, 300px" width="300" height="250"   /></a></div></div><p class="wp-block-paragraph">Tempos atrás eu tinha uma loja de conveniência na Praça Santos Dumont, a Glamour Zero. Um dia, o funcionário me ligou e perguntou se eu não poderia ficar um pouco na loja pois ele teria que fazer um depósito bancário para pagar a mensalidade da faculdade do filho. Óbvio que disse sim, pois um pai que cuida da educação do filho deve ser ajudado por menor que seja a ajuda.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Era quase duas da tarde e eu, de banho tomado me preparava para um cochilo. A cama estava preparada, o ar-condicionado ligado e eu pronto para cair nos braços de Morpheu. Coloquei bermuda, uma camiseta qualquer, desci a escada e fui em direção a loja que ficava 20 metros adiante.<br>Ao chegar o funcionário estava do lado de fora fumando um cigarro. Ao me ver, como se pedisse desculpas, tirou o dinheiro do depósito do bolso e me mostrou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">-Vou no Bradesco e volto rápido .</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sem nada responder entrei na loja, me posicionei frente ao balcão e assumi a responsabilidade de atender a clentela mas estávamos na baixa temporada e o movimento, fraco. Peguei o celular e comecei a rolar a tela em busca de algo interessante quando uma moça se aproximou do balcão e me mostrou uma nota de cem reais.<br>Eu tive a impressão que ela estava com nojo da cédula pois a segurava por uma das extremidades usando o polegar e o indicador.</p><div class="prens-meio-do-post prens-entity-placement" id="prens-196794640"><div id="prens-527883430"><a href="https://prensadebabel.com.br/" target="_blank" aria-label="Retangulo 10 anos"><img src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Retangulo-10-anos-e1793629722864.png" alt=""  srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Retangulo-10-anos-e1793629722864.png 1130w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Retangulo-10-anos-e1793629722864-300x57.png 300w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Retangulo-10-anos-e1793629722864-1024x196.png 1024w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Retangulo-10-anos-e1793629722864-768x147.png 768w" sizes="(max-width: 1130px) 100vw, 1130px" width="1212" height="165"   /></a></div></div>



<p class="wp-block-paragraph">-Achei aqui no chão. Alguém deve ter perdido e pode ser que volte. Você pode guardar?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eu disse que sim e coloquei o dinheiro em cima do mostruário de cigarros, para não misturar com os da loja. Ela foi saindo devagar e atentei para um detalhe: e se ninguém aparecesse?<br>A chamei e pedi que ela voltasse mais tarde, pois se não houvesse reclamação, o dinheiro seria dela afinal, ela o encontrou.<br>Sem nada responder ela concordou com um acenar de cabeça e seguiu seu destino.<br>Nesse momento passei a observar melhor a pessoa.<br>Era uma jovem mulher, que parecia ter pouco mais de 30 anos, carregava um capacete de moto numa das mãos e uma bolsa no ombro esquerdo. Devia trabalhar em lojas ou restaurantes do Centro imaginei. Tinha esse perfil.Quando o funcionário voltou do banco, mostrei os cem reais e contei a história.</p>



<p class="wp-block-paragraph">-Se alguém aparecer entrega, pedi enquanto voltava pra casa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Um detalhe: até aquele momento, só a moça, eu e ele sabíamos do achado.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Cheguei enfim em casa e fui tentar dormir um pouco pois as seis da tarde eu iria trabalhar. Era folga do funcionário da noite. Mal prego os olhos e meu celular toca. Era o funcionário de novo.<br>Desta vez ele queria apenas falar e começou se desculpando. Disse que não sabia bem como começar e que estava até constrangido em me ligar.<br>No entanto foi direto ao assunto e falou que quando chegou ao caixa eletrônico para fazer o depósito, percebeu que faltava cem reais e provavelmente o dinheiro achado era dele</p>



<p class="wp-block-paragraph">-Você lembra que contei a grana na tua frente? Acho que quando fui colocar no bolso de trás da bermuda uma nota caiu.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eu lembrava muito bem da cena e sim, ele estava falando a verdade. O autorizei a pegar a grana e ele disse que como não tinha certeza se realmente lhe pertencia, iria esperar um pouco até alguém reclamar ou não. Achei muito correta a atitude e concordei.Alguns minutos depois o celular volta a tocar e era o funcionário novamente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">-Me fudi!, foram suas primeiras palavras.</p>



<p class="wp-block-paragraph">-Chegou um cara aqui dizendo que perdeu cem reais. É cliente nosso, dirige buggy. Aliás o carro está embaixo de tua janela e ele está acabando de sair.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Levantei rápido da cama, abri um lado da janela e apenas ouvi o barulho típico dos motores de fusca comumente usados nos Buggys se afastando.<br>Ainda com o celular ligado, lamentei o azar do funcionário e voltei a ( tentar) descansar.<br>Mas não pude. Meia hora depois ele ligou de novo contando uma história que só por ela, resolvi escrever esse texto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">-Você não vai acreditar: o cara do Buggy voltou e me devolveu o dinheiro. Disse que na verdade havia perdido 50 reais mas que ao ouvir a história, ele apresentou como o dono. Só que ao chegar em casa contou a verdade a esposa e ela se revoltou e o mandou me devolver.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A tentativa de golpe só se deu porque o funcionário de maneira ingênua, perguntou a alguns clientes se algum deles havia perdido cem reais. Certamente o cara do Buggy ouviu. A loja ficava numa esquina e era possível escutar sem ser visto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mas a tentativa do golpe só deu errado porque entrou uma mulher decente no caso e aqui vem a parte boa dessa história. Ela só teve um final feliz porque começou e acabou com mulheres decentes.<br>Dito isso, finalizo com um pedido: vamos amar e respeitar mais as mulheres.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em tempo: a moça que achou o dinheiro passou depois na loja. Contei a história de maneira sintetizada e ela sorriu. E sempre que eu a encontrava, perguntava se não havia achado dinheiro outras vezes. E ela apenas balançava a cabeça negativamente.</p>
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		<title>As placas</title>
		<link>https://prensadebabel.com.br/placas-comportamento-urbano-cronica-sandro-peixoto/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sandro Peixoto]]></dc:creator>
		<pubDate>Thu, 26 Mar 2026 13:53:13 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Sandro Peixoto]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A proibitiva A história das placas informativas remetem ao Império Romano, e começou na verdade em colunas de pedras colocadas as longo das estrada informando a distância em relação a cidade de Roma &#8211; o centro do mundo à época. Com o tempo, elas evoluíram e passaram a ter características próprias, como as placas regulamentação, [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<div class="prens-post_esquerda_inicio prens-entity-placement" style="float: right;" id="prens-1671848023"><div id="prens-2440985125"><a href="https://institutodominus.com.br/" target="_blank" aria-label="ANÚNCIO DOMINUS - QUADRADO LATERAL - 600x400px"><img src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2025/10/MatriculasDominus_Posts_600x400px.jpg" alt="ANÚNCIO DOMINUS - QUADRADO LATERAL - 600x400px"  srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2025/10/MatriculasDominus_Posts_600x400px.jpg 601w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2025/10/MatriculasDominus_Posts_600x400px-300x200.jpg 300w" sizes="(max-width: 601px) 100vw, 601px" width="300" height="250"   /></a></div></div><p class="wp-block-paragraph"><strong>A proibitiva</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">A história das placas informativas remetem ao Império Romano, e começou na verdade em colunas de pedras colocadas as longo das estrada informando a distância em relação a cidade de Roma &#8211; o centro do mundo à época.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com o tempo, elas evoluíram e passaram a ter características próprias, como as placas regulamentação, advertência, indicação, promoção, vendas, etc.Em geral, as placas são usadas como ferramentas de comunicação ráppida e ess<br>2⁰enciais para sinalizar, orientar e identificar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Gosto muito de ler e leio de tudo. De bulas de remédios à placas informativas e algumas não esqueço.</p><div class="prens-meio-do-post prens-entity-placement" id="prens-196794640"><div id="prens-527883430"><a href="https://prensadebabel.com.br/" target="_blank" aria-label="Retangulo 10 anos"><img src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Retangulo-10-anos-e1793629722864.png" alt=""  srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Retangulo-10-anos-e1793629722864.png 1130w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Retangulo-10-anos-e1793629722864-300x57.png 300w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Retangulo-10-anos-e1793629722864-1024x196.png 1024w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/10/Retangulo-10-anos-e1793629722864-768x147.png 768w" sizes="(max-width: 1130px) 100vw, 1130px" width="1212" height="165"   /></a></div></div>



<p class="wp-block-paragraph">Lembro bem o dia em que, acompanhando do ilustre Cabelada, conheci o tradicional Bar Petisco da Vila, na esquina da Avenida 28 de Setembro com a Rua Visconde de Abaeté no bairro de Vila Isabel, onde morei por uns meses.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Vila Isabel, terra de Noel Rosa com suas calçadas de pedras portuguesas com partituras musicais. E bares como o Petisco eram lugares preferidos de cantores, compositores e amantes da boa música.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Enquanto sorvia um geladissimo chope Brahma escuro, olhavam curioso o entorno em busca de alguém famoso, como Martinho da Vila, velho frequentador da casa. Enquanto alimentava minha curiosidade e matava minha sede, Cabelada seguia falando com todos que passavam. Ele era uma espécie de astro do lugar pois havia vencido por dez anos seguido o Concurso do 171 do bairro. Era tão favorito que virou Hors- concours, ou seja, proibido de concorrer. Não, ser 171 no caso, não era ser literalmente estelionatário, mas apenas um sujeito experto, um malandro carioca que dava um jeito em tudo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Enquanto o Cabelada contava suas histórias eu seguia olhando tudo e qual não foi minha surpresa ao ver no perfil inferior da mão francesa que sustentava o toldo uma pequena placa retangular de madeira onde se lia: proibido batucar nas mesas.</p>



<figure class="wp-block-image alignleft size-full"><img fetchpriority="high" decoding="async" width="183" height="275" src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/03/download-32.jpg" alt="" class="wp-image-164012"/><figcaption class="wp-element-caption">Cabelada. </figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Confesso que achei estranho. Ora, aquele era um templo sagrado da boêmia e da música carioca. A maior referência de um dos bairros mais musicais do Rio de Janeiro. Um lugar perfeito para puxar um sambinha numa roda de amigos. Segurei minha curiosidade a esperei meu companheiro de mesa e de copo parar de falar.<br>Quando enfim ele ficou sozinho, eu revelei minha curiosidade.<br>Cabelada virou o copo de chope, levantou a mão para um garçom pedindo mais dois e como se falasse para uma criança, me explicou em voz baixa e quase que separando as silabas.<br>&#8221; Nesse bairro todo mundo canta, todo mundo toca algum instrumento, todos têm motivos para comemorar seja o que for. Se liberar, isso aqui vai virarvum inferno&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O garçom chehou e colocou os chopes na mesa. Peguei o meu, dei um belo gole e concluir que eu era um idiota.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A Liberal</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Outra placa inesquecível eu vi no saudoso Restaurante Brigitta’s , que ficava na Rua das Pedras , quando a famosa rua ainda tinha Glamour. Para quem não teve o privilégio de comer naquele templo gastronômico, vou tentar traduzir o ambiente.<br>Originalmente havia um bar na parte que dava frente pra rua e na calçada, umas 4 ou 5 mesas onde sentavam pessoas que queriam ver, e serem vistas. O restaurante na verdade, ficava na parte interna, acessada por um estreito corredor que se abria para um salão com vista para o mar.</p>



<figure class="wp-block-image alignleft size-full"><img decoding="async" width="400" height="300" src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Rio-de-Janeiro-053.jpg" alt="" class="wp-image-164013" srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Rio-de-Janeiro-053.jpg 400w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/03/Rio-de-Janeiro-053-300x225.jpg 300w" sizes="(max-width: 400px) 100vw, 400px" /><figcaption class="wp-element-caption">Brigitta’s, no centro da foto, a propietário do restauranre épico </figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Uma churrasqueira espalhava cheiros de lagostas, peixes e churrasco pelo ambiente e uma imensa cama de ferro numa área mais reservada e meio protegida por cortinas de voil completava a caótica e ao mesmo tempo singular, decoração ambiente.<br>Detalhe: se um casal desejasse, podiam serem servidos na cama e se a mulher ficasse de topless, a conta teria 50% de desconto. E sim, algumas mulheres ousaram pagar menos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O salão principal era composto de mesas e cadeiras coloridas, quadros floridos pelas paredes, plantas tipo trepadeiras nas colunas e lâmpadas de cores psicodélicas completavam o cenário. E lá no fundo, rente a janela que dava vista para o mar, uma mesa de tipo bristô, para apenas um casal, era uma das mais concorrida da casa. Tudo porque havia uma placa onde se lia &#8220;PERMITIDO FUMAR&#8221;.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A inútil</strong></p>



<figure class="wp-block-image size-large"><img decoding="async" width="1024" height="746" src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/03/5720229-homem-fazendo-xixi-no-chao-pessoa-urinar-icone-isolado-no-fundo-branco-gratis-vetor-1024x746.jpg" alt="" class="wp-image-164011" srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/03/5720229-homem-fazendo-xixi-no-chao-pessoa-urinar-icone-isolado-no-fundo-branco-gratis-vetor-1024x746.jpg 1024w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/03/5720229-homem-fazendo-xixi-no-chao-pessoa-urinar-icone-isolado-no-fundo-branco-gratis-vetor-300x219.jpg 300w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/03/5720229-homem-fazendo-xixi-no-chao-pessoa-urinar-icone-isolado-no-fundo-branco-gratis-vetor-768x559.jpg 768w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/03/5720229-homem-fazendo-xixi-no-chao-pessoa-urinar-icone-isolado-no-fundo-branco-gratis-vetor.jpg 1200w" sizes="(max-width: 1024px) 100vw, 1024px" /></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Uma noite, fui convidado por um amigo para jantar na Pizzaria Lumberjack, que ficava no bairro dos Ossos. Não gosto de pizza, por escolha, jamais comeria alguma mas no caso, eu tinha que ir. O amigo era fraterno e a pizza, uma das melhores de Búzios.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A noite estava perfeita e as margens da lagoa ao lado, barracas de madeira ofereciam vários tipos de comida. Estávamos no segundo final de semana do Festival de Gastronomia e a Pizzaria estava lotada. Pedimos umas cervejas, uma pizza brotinho cortada a francesa e a conversa começou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Minutos depois, tive vontade de ir ao banheiro. Chegando lá, o mesmo estava ocupado e com calma, esperei minha vez. A porta abriu e saiu um amigo. Nos cumprimentamos com um boa noite e fui me aliviar.<br>Ao terminar,esperei com calma o último pingo que sempre cai na cueca e vi a placa que me trouxe até aqui. Era uma placa até bonita. Fundo branco com letras azuis e em três idiomas. Português, espanhol e inglês. Oʻe<br>Dava um recado simples, mas ao meu modo de ver, inútil.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>CUIDE BEM DESSE BANHEIRO. LEMBRE-SE QUE DEPOIS DE VOCÊ, OUTRA PESSOA O USARÁ.</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Quase rindo cometei comigo mesmo.<br>E desde quando o ser humano se preocupa com os outros?<br>Mesmo sabendo que vai voltar naquele lugar, a pessoa nem se preocupa consigo mesmo, que dirá com estranhos que virão depois. Xixi no chão mais que na privada é a regra nos banheiros masculinos. E nem descargas a maioria dá.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Penso que uma placa mais simples,ao menos nos banheiros dos homens, faria mais sentido. Bastava escrever assim:</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>Chegue mais perto, ELE não é tão grande quanto você imagina.</strong></p>



<figure class="wp-block-image alignleft size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="565" height="565" src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Sandro-Peixoto.jpeg" alt="" class="wp-image-160955" srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Sandro-Peixoto.jpeg 565w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Sandro-Peixoto-300x300.jpeg 300w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Sandro-Peixoto-150x150.jpeg 150w" sizes="(max-width: 565px) 100vw, 565px" /><figcaption class="wp-element-caption">Sandro Peixoto, jornalista, cronista de Búzios, foi repórter em O Perú Molhado. </figcaption></figure>
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		<item>
		<title>Três vezes não</title>
		<link>https://prensadebabel.com.br/tres-vezes-nao-historia-carro-roubado-buzios/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sandro Peixoto]]></dc:creator>
		<pubDate>Fri, 20 Mar 2026 10:41:04 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Sandro Peixoto]]></category>
		<category><![CDATA[Búzios]]></category>
		<category><![CDATA[Carro]]></category>
		<category><![CDATA[Roubo]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Três vezes não Éramos mais que amigos. Quase irmãos. Ele repetia aos quatro cantos que só estava em Búzios por minha causa.O conheci em 1997, na saudosa Pousada/Bar A Estalagem, na Rua das Pedras, que havia arrendado do Bruce Henry um ano antes. Se apresentou como contrabandista (a palavra é essa mesma) de whisky, bebidas [&#8230;]</p>
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										<content:encoded><![CDATA[
<div class="prens-post_esquerda_inicio prens-entity-placement" style="float: right;" id="prens-1671848023"><div id="prens-3497936379"><a href="https://loja.prensadebabel.com.br/" target="_blank" aria-label="livro deva 2"><img src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/livro-deva-2.jpeg" alt=""  srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/livro-deva-2.jpeg 656w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/livro-deva-2-300x300.jpeg 300w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/livro-deva-2-150x150.jpeg 150w" sizes="(max-width: 656px) 100vw, 656px" width="300" height="250"   /></a></div></div><p class="wp-block-paragraph"><strong>Três vezes não</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Éramos mais que amigos. Quase irmãos. Ele repetia aos quatro cantos que só estava em Búzios por minha causa.<br>O conheci em 1997, na saudosa Pousada/Bar A Estalagem, na Rua das Pedras, que havia arrendado do Bruce Henry um ano antes.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se apresentou como contrabandista (a palavra é essa mesma) de whisky, bebidas em geral e cigarro Gudang Garam. Tudo made in Paraguai.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Sim, ele vendia whisky falsificado, mas também tinha produtos originais. Ficava ao sabor do cliente. Eu comprava pouco, mas usei minha influência e o apresentei a outros comerciantes — o que fez aumentar suas vendas.</p><div class="prens-meio-do-post prens-entity-placement" id="prens-196794640"><div id="prens-444169166"><a href="https://loja.prensadebabel.com.br/" target="_blank" aria-label="wide_horizontal_banner_design_a_clean_elegant_bo_1"><img src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/wide_horizontal_banner_design_a_clean_elegant_bo_1.png" alt=""  srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/wide_horizontal_banner_design_a_clean_elegant_bo_1.png 1080w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/wide_horizontal_banner_design_a_clean_elegant_bo_1-300x53.png 300w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/wide_horizontal_banner_design_a_clean_elegant_bo_1-1024x182.png 1024w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/wide_horizontal_banner_design_a_clean_elegant_bo_1-768x137.png 768w" sizes="(max-width: 1080px) 100vw, 1080px" width="1212" height="165"   /></a></div></div>



<p class="wp-block-paragraph">E assim, passou a morar em Manguinhos e, entre uma e outra ida à Praia de João Fernandes para entregar mercadorias, conheceu um argentino decepcionado com a cidade e passou a alugar os caiaques que o gringo acreditava que o fariam rico. Meu amigo herdou uma dívida, vários caiaques e um bugre. E, em pouco tempo, virou referência na praia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Carioca do bairro do Méier, sempre gostou de jogos e, por algum tempo, comandou as mesas de baralho no Morro do Alemão. Preparava as mesas, servia cafezinho, controlava as apostas e, claro, ficava com parte do rateio. Sendo assim, sempre ganhava. A casa sempre ganha.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Teve infância e adolescência fartas graças ao pai, que trabalhava na melhor loja de produtos alimentícios importados da época. Por causa da ascendência paterna, tinha acesso ao que havia de melhor da cultura italiana — o que favoreceu seu paladar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Quebrado em Búzios, tentava de tudo para se reerguer e voltar a ser o que foi um dia: um bon vivant afeito a bons whiskies, cigarros importados e comidas de primeira.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Parou de vender bebidas e se dedicou totalmente ao negócio da praia, e viu a vida melhorar: comprou carros, barco, criou um bolão com jogos de futebol e ficou tão famoso que alguns amigos tentaram levá-lo para a política.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Recusou de primeira. Dizia que políticos eram todos corruptos, ladrões etc. Mas ele mesmo não era nenhum exemplo de bom cidadão. Quase sempre vestido com uma jaqueta camuflada, repetia que, na época da ditadura militar, o Brasil era melhor. Porém, nada fazia para melhorar a pátria.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não gostava de pagar as contas. Comprou a prazo dois carros usados de amigos, pagou algumas prestações e depois se fingiu de morto. Fez o mesmo com o dono do barco, outro amigo que lhe perdoou a dívida. Costumava alugar casas por um valor específico e, com o passar dos dias, começava a colocar defeitos nos imóveis para pedir descontos. Um senhorio menos atento poderia acabar pagando em vez de receber.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O cara era terrível. Dirigia bêbado e com habilitação vencida. Tinha sempre que podia “gato” na água e na luz. Internet, sugava da vizinhança.<br>“Nunca dei um cheque bom”, era esse seu bordão. O famoso 171 brasileiro.<br>Mas era um sujeito bom, apesar de tantos defeitos. Vivo hoje, seria mais bolsonarista que o próprio Bolsonaro.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Uma noite, esse amigo de quem tenho saudades bebeu demais no meu bar — coisa que fazia com frequência. Teimou em voltar dirigindo e tentei evitar. Como último recurso, propus dirigir o carro até sua casa e voltar de táxi. Ele aceitou e fomos até a rua onde o carro estaria, uma quadra adiante.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Como não respeitava quase nenhuma regra, estacionava seu carro numa das duas vagas do Ministério Público, coisa que quase ninguém ousava. Chegamos lá e, para nossa surpresa, o veículo não estava. Nem o tradicional flanelinha da rua para nos dar alguma informação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Rebocado não foi, pois esse serviço não havia na cidade. Só podia ter sido roubo — afinal, estávamos no verão, época em que esse tipo de crime aumenta. Ele ficou puto, falou que ia ligar para um amigo delegado, para um general etc.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eu, mais tranquilo, acreditava mesmo que o carro deveria estar em outro lugar. Chamei um táxi e pedi para levar o bêbado até sua casa. Por instinto, lhe pedi as chaves do veículo. Voltei ao bar e, horas depois, o fechei.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Com as ruas quase vazias, saí em busca do tal carro roubado e o encontrei uns duzentos metros de onde deveria estar. Levei até a rua onde morava e o deixei defronte à janela do meu quarto, num sobrado onde vivi por 25 anos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Por causa do trabalho, dormia e acordava tarde, mas meu amigo, dono de barraca de praia, acordava cedo. Refeito da bebedeira, lembrou onde havia deixado seu Fiat Palio com B.A., a famosa busca e apreensão por falta de pagamentos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Chamou seu funcionário de maior confiança, lhe entregou a chave reserva e indicou o local onde deixou o bem. O funcionário, ao chegar ao local, não encontrou o veículo. Tentou avisar ao patrão, mas ele já estava na praia e, lá, o sinal do celular não funcionava bem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Esse lapso de tempo é muito importante nessa história, e peço que prestem bem atenção.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O amigo, sem informações, trabalhando na praia; eu, dormindo; e o funcionário indo em direção à casa lotérica. E foi nessa caminhada que ele passou em frente à minha casa, encontrou o carro e, sem ter como avisar ao patrão, o levou.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Minutos depois, meu amigo me liga e, antes que eu fale qualquer coisa, lamenta:</p>



<p class="wp-block-paragraph">— Poxa, Sandro, roubaram meu carro mesmo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">— Não, amigo. Você não o deixou em frente ao MP.</p>



<p class="wp-block-paragraph">— Eu sei. Lembrei de manhã e mandei o Gerê ao lugar certo, e o carro não estava lá.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eu estava em pé e, antes de informar que o carro estava em frente à minha casa, abri a janela e&#8230; cadê? O mesmo não estava lá.<br>E então foi a minha vez de errar:</p>



<p class="wp-block-paragraph">— Roubaram mesmo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E foi assim que, por algum tempo, o mesmo carro havia sido roubado três vezes — e nenhuma.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foi somente quando o funcionário chegou à praia que o mistério foi resolvido</p>



<figure class="wp-block-image alignleft size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="565" height="565" src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Sandro-Peixoto.jpeg" alt="" class="wp-image-160955" srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Sandro-Peixoto.jpeg 565w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Sandro-Peixoto-300x300.jpeg 300w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Sandro-Peixoto-150x150.jpeg 150w" sizes="(max-width: 565px) 100vw, 565px" /><figcaption class="wp-element-caption">Sandro Peixoto, jornalista e cronista, em Búzios foi repórter por mais de uma decáda de O Perú Molhado. </figcaption></figure>
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		<title>Pernas pra que te quero</title>
		<link>https://prensadebabel.com.br/perna-cabeluda-cemiterio-dos-ossos-buzios-memoria/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sandro Peixoto]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 08 Feb 2026 21:54:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Crônica]]></category>
		<category><![CDATA[Sandro Peixoto]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>A perna cabeluda Em 1977, ano em que se situa o filme O Agente Secreto do Diretor Kleber Mendonça Filho,eu tinha 12 anos e morava numa cidade cerca de 60 quilômetros do Recife. Era uma cidade canavieira na Zona da Mata Norte de Pernambuco e ainda bastante tranquila. O Brasil vivia um momento brutal politicamente [&#8230;]</p>
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<div class="prens-post_esquerda_inicio prens-entity-placement" style="float: right;" id="prens-1671848023"><div id="prens-3497936379"><a href="https://loja.prensadebabel.com.br/" target="_blank" aria-label="livro deva 2"><img src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/livro-deva-2.jpeg" alt=""  srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/livro-deva-2.jpeg 656w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/livro-deva-2-300x300.jpeg 300w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/livro-deva-2-150x150.jpeg 150w" sizes="(max-width: 656px) 100vw, 656px" width="300" height="250"   /></a></div></div><p class="wp-block-paragraph"><strong>A perna cabeluda</strong></p>



<p class="wp-block-paragraph">Em 1977, ano em que se situa o filme O Agente Secreto do Diretor Kleber Mendonça Filho,eu tinha 12 anos e morava numa cidade cerca de 60 quilômetros do Recife. Era uma cidade canavieira na Zona da Mata Norte de Pernambuco e ainda bastante tranquila. O Brasil vivia um momento brutal politicamente falando. O general Ernesto Geisel era o ditador da hora e seu governo estava rachado pois o mesmo havia começado o que se chamou de abertura política &#8221; lenta, gradual e segura&#8221; o que desagrada os militares de linha dura, que queriam manter não só as mamatas, como também aumentar a brutalidade de terror contra o povo que não aceitava calado o regime ditatorial. É bom lembrar que nessa época a resistência armada já havia sido derrotada, os maiores líderes estavam mortos, presos ou refugiados e havia uma ainda incipiente reação com os movimentos estudantis, a reorganização sindical e as greves no ABC Paulista, onde surgiu o que viria ser a maior liderança política de esquerda da América Latina . Luis Inácio Lula da Silva.</p>



<figure class="wp-block-image alignleft size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="275" height="183" src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/02/download-20.jpg" alt="" class="wp-image-162139"/><figcaption class="wp-element-caption">repodrução de jornal da época </figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Se no Rio em São paulo a repressão era comandada pelos cabeças, no Recife quem promovia o terror e a carnificina eram, por assim dizer, os guardas da esquina. Policiais de merda que se achavam representantes dos golpistas da casa grande.<br>E não foi por falta de aviso: em 1968, durante o comando do general Costa e Silva, o então vice Pedro Aleixo ( um civil colocado na vice-presidência para fingir normalidade democrática) se negou a assinar o AI-5, ato institucional que endurecida ainda mais as regras do regime.  </p>



<p class="wp-block-paragraph">-não temo o poder do alto comando, o que me assusta é o poder que daremos ao guarda da esquina.<br>Em outras palavras, foi mais ou menos isso que ele falou.</p><div class="prens-meio-do-post prens-entity-placement" id="prens-196794640"><div id="prens-2647108919"><a href="https://www.instagram.com/lopesmoradiacarioca/" target="_blank" aria-label="BANNER 2"><img src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/09/BANNER-2.png" alt=""  srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/09/BANNER-2.png 1069w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/09/BANNER-2-300x72.png 300w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/09/BANNER-2-1024x247.png 1024w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/09/BANNER-2-768x185.png 768w" sizes="(max-width: 1069px) 100vw, 1069px" width="1069" height="258"   /></a></div></div>



<p class="wp-block-paragraph">Esses &#8220;guardas de esquinas&#8221; tocavam o terror no estado de Pernambuco e eram temidos por todos. Um dia, surgiu a lenda urbana de uma perna masculina decepada e cabeluda que saltitando pelas ruas,perseguiam as pessoas dando-lhes chutes, rasteiras e pasmem, até tapas. E o que era comentado nas mesas de bares, filas de supermercados, roletas de ônibus a saídas de missas ganhou as páginas dos jornais. Algumas vezes os casos da perna eram usados para tapar buracos da edição quando alguma matéria caia por causa da censura. Quem acreditava na lenda se deliciava com os textos bem escritos pelos jornalistas e quem tinha um pouco de juízo entendia que a censura havia escondido algo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Distante da capital, a perna cabeluda demorou a chegar em minha cidade. Mas num domingo após o almoço, quando saía de casa para jogar futebol com uns amigos num campinho de terra batida, fui aconselhado por uma senhora a voltar.<br>-Volta pra casa meu filho. A perna cabeluda foi vista na Estrada Nova. Está todo mundo trancando as casas.<br>Ouvi com respeito e segui meu caminho. Aquilo não fazia sentido. Se eu não acreditava em Deus, como poderia acreditar numa perna que saltita sem rumo?  E essa foi a única vez que eu estive próximo de ver a assombração.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><strong>A outra perna</strong></p>



<figure class="wp-block-image alignleft size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="275" height="183" src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/02/download-19.jpg" alt="" class="wp-image-162138"/><figcaption class="wp-element-caption">O Cemitério de Sant&#8217;Anna ou apenas &#8220;dos Ossos&#8221;</figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Anos depois em Búzios, repórter do <strong>O Perú Molhado</strong>, fui designado pelo Editor Marcelo Lartigue para fazer pela enesima vez, a cobertura do dia de Finados no Cemitério dos Ossos. Nome mais correto para um cemitério não existe.<br>O mês de novembro geralmente faz calor mas nesse dia a coisa estava pior ainda. Antes de subir a ladeira em direção da última morada, fiz um pit-stop no Capitans Bar. Eu adoro aquele cantinho mas gostava mais quando tinha a companhia do meu amigo Ivan.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Tomei um drink, peguei uma água e fui fazer meu trabalho. Era pouco mais de duas da tarde e chegando lá encontrei o cemitério vazio e apenas um rapaz sentado numa cadeira em frente a uma mesa com um bloco de anotações. Dei boa tarde e caminhei um pouco entre os becos pensando o que iria escrever. Para quem não conhece, o cemitério de Búzios fica atrás da igreja da Sant&#8217;Anna no bairro dos Ossos, e é do tipo armário, ou seja, paredes com gavetas e os caixões são lacrados. Quando volto a entrada encontro uma senhora já bem idosa bastante curiosa com aquela construção. Ao saber que era o cemitério a mesma fez um comentário bastante singelo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">-que organizado. Bem limpinho. Dá vontade de morrer.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ficamos eu e o rapaz calados enquanto a senhora caminhava entre os mortos. Olhei para um lado e vi algumas latinhas de cervejas jogadas próximo ao muro.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>-algumas pessoas entram sem querer e quando percebemos que é um cemitério se constrangem e jogam fora.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>Lembrei que o Dia de Finados é feriado e aquele caminho liga a praia da Armação à Praia dos Ossos e muitos turistas passam ali. Perguntei ao rapaz o que fazia ,e ele me disse tinha a lista dos túmulos.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>-Recebemos visitas de amigos e parentes que não sabem ou não lembram onde o ente querrido foi enterrado. Aqui nesse caderno tem os nomes e o local.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>Nesse momento entra um jovem rapaz com um capacete de moto no cotovelo, camiseta regata e vários cordões de aço inox no pescoço. Ele perguntou onde estava o caixão da mãe e o atendente perguntou nome e data do sepultamento. Ao receber as informações ele disse que não poderia ajudar pois a empresa que atualmente administrava o cemitério e para qual trabalhava, só havia assumido ha dois anos e o cadastro dos sepultamentos anteriores estava na prefeitura.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>Satisfeito com a resposta o motoqueiro fez outra pergunta que me chamou bastante a atenção.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>-E o meu túmulo está aonde?</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>Se a perguntou me perturbou, a resposta elucidou. Mas me deixou perpexlo.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>-É membro inferior né?</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>Foi somente então que vi que o jovem tinha uma prótese de metal do joelho para baixo da perna direita.<br>E descobri que quando uma pessoa perde um órgão, o hospital cuida do descarte, mas quando se trata de membros, tem que haver um sepultamento.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não precisa ter funeral com velório ou cortejo, nem o dono precisa ir, mas o membro precisa ser depositado em local determinado por lei. E eu, coveiro de profissão, não sabia desses detalhe e enquanto o dono da perna seguia o caminho indicado fiquei a pensar: o que ele irá dizer frente a gaveta onde repousa seu membro. &#8220;Saudades de você&#8221;? Quanto tempo faz que a gente não bate uma bolinha&#8221;?.  Melhor deixar pra lá, deduzi. Já tinha uma história para contar e pensamentos intrusivos começaram a me perturbar no caminho de volta pra casa. Coisas macabras me vinham à mente. Eu teria que escrever uma história para o jornal com início meio e fim. E se possível, uma pitada de humor (e sem zombar da situação) para fazer juiz a história do jornal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Pensei numa situação hipotética: uma pessoa com diabetes e morando em Vitória, no Espírito Santo, teve que amputar uma perna por necrose no pé e o membro sepultado lá. Anos depois essa mesma vem morar em Cabo Frio e por desgraça do destino perde a outra perna e a enterrado aqui. Como ela faria para visitar seus membros no Dia de Finados. A palavra <em>finados</em> significa como &#8221; algo que findou &#8220;, e nesse caso a pessoa em questão estaria findando aos poucos. Outra questão: será que as funerárias dão desconto? Afinal o coitado seria enterrado no mínimo três vezes. E se o destino fosse mais cruel e ele perdesse um braço já morando em outro estado?</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>Chegando em casa tomei um banho frio e ao sentar frente ao computador resolvi contar uma história menos macabra. E foi assim que por duas vezes tive uma perna como personagem na minha história.</p>



<figure class="wp-block-image alignleft size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="565" height="565" src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Sandro-Peixoto.jpeg" alt="" class="wp-image-160955" srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Sandro-Peixoto.jpeg 565w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Sandro-Peixoto-300x300.jpeg 300w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Sandro-Peixoto-150x150.jpeg 150w" sizes="(max-width: 565px) 100vw, 565px" /><figcaption class="wp-element-caption">Sandro Peixoto, cronista, escritor, foi repórter de O Perú Molhado. </figcaption></figure>
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		<title>Quase crime</title>
		<link>https://prensadebabel.com.br/quase-crime-ossada-buzios-dilema-jornalistico/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sandro Peixoto]]></dc:creator>
		<pubDate>Sun, 01 Feb 2026 22:22:53 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Especial]]></category>
		<category><![CDATA[Sandro Peixoto]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Vinte anos atrás eu trabalhava no Perú Molhado. Uma dia, estava no bairro dos Ossos bebericando uma caipivodka de maracujá no Capitans Bar quando recebi uma chamada no meu celular. Era meu amigo Cláudio, que anos depois viria ser meu sócio Ele me contou uma história estranha. Uma pessoa conhecida dele, havia encontrado um cadáver [&#8230;]</p>
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<div class="prens-post_esquerda_inicio prens-entity-placement" style="float: right;" id="prens-1671848023"><div id="prens-1467460848"><a href="https://www.instagram.com/lopesmoradiacarioca/" target="_blank" aria-label="QUADRADO HOME 2"><img src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/09/QUADRADO-HOME-2.png" alt=""  width="300" height="250"   /></a></div></div><p class="wp-block-paragraph">Vinte anos atrás eu trabalhava no Perú Molhado. Uma dia, estava no bairro dos Ossos bebericando uma caipivodka de maracujá no Capitans Bar quando recebi uma chamada no meu celular. Era meu amigo Cláudio, que anos depois viria ser meu sócio Ele me contou uma história estranha. Uma pessoa conhecida dele, havia encontrado um cadáver próximo ao ponto final onde a empresa 1001- que muita gente chama de rodoviária, tem seu ponto final. De imediato fiquei surpreso pois se trata de uma área com bastante fluxo de pessoas e perguntei se a polícia já não havia sido informada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Meu amigo disse que &#8221; o corpo&#8221; estava dentro do mato e que o amigo que achou queria que eu visse e noticiasse no Perú Molhado &#8211; do qual era leitor. Meio encabrunhado avisei que iria ver o tal cadáver mas que demoraria um pouco pois estava num momento de lazer. Após terminar a chamada, olhei na tela de celular e vi 15:45.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Conscientemente sorvia meu drink sem pressa pois não tinha grana para o segundo e Ivan, o dono do Bar não vendia fiado.<br>mas meu inconsciente insistia no assunto.<br>E se for uma boa história? E se for uma pessoa conhecida?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Retirei o canudo do copo e engoli o que restava sem cerimônia. Engoli gelo e sementes sem medo. Voltei com passos apressados pela Orla Bardot em direção a Praça Santos Dumont &#8211; onde meu amigo Cláudio tinha comércio. Chegando lá, o vi com um velho ( em todos os sentidos) conhecido. Homem de poucas virtudes e com muitos casos não resolvidos.</p><div class="prens-meio-do-post prens-entity-placement" id="prens-196794640"><div id="prens-2647108919"><a href="https://www.instagram.com/lopesmoradiacarioca/" target="_blank" aria-label="BANNER 2"><img src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/09/BANNER-2.png" alt=""  srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/09/BANNER-2.png 1069w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/09/BANNER-2-300x72.png 300w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/09/BANNER-2-1024x247.png 1024w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/09/BANNER-2-768x185.png 768w" sizes="(max-width: 1069px) 100vw, 1069px" width="1069" height="258"   /></a></div></div>



<p class="wp-block-paragraph">-Que roubada, pensei baixinho.</p>



<figure class="wp-block-image alignleft size-large is-resized"><img loading="lazy" decoding="async" width="683" height="1024" src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Sandro-Peixoto-crime-683x1024.png" alt="" class="wp-image-161779" style="width:401px;height:auto" srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Sandro-Peixoto-crime-683x1024.png 683w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Sandro-Peixoto-crime-200x300.png 200w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Sandro-Peixoto-crime-768x1152.png 768w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/02/Sandro-Peixoto-crime.png 1024w" sizes="(max-width: 683px) 100vw, 683px" /><figcaption class="wp-element-caption">Entre o silêncio da mata, a pressa do furo jornalístico e a sombra de um crime, o repórter se vê diante de um dilema ético que mistura medo, estratégia e adrenalina. <strong>Ilustração / Agência Prensa de Babel</strong></figcaption></figure>



<p class="wp-block-paragraph">Meu amigo no entanto, exalava entusiasmo. Sua emoção era visível, seus olhos brilhavam e ele nem conseguia explicar direito o caso. Foi o outro, o tal de poucas virtudes e por quem eu não tinha nenhum apreço que começou a falar.</p>



<p class="wp-block-paragraph">-Entre a escola Paulo Freire e a parada da 1001 tem uns terrenos ainda com mata nativa, com algumas trilhas que são usadas por trabalhadores da região da Ferradura. Eles usam o atalho para chegar mais cedo e um cara achou uma pessoa morta debaixo de uma árvore. Quer ir lá ver?</p>



<p class="wp-block-paragraph">Disse que sim, e seguimos os três até o local indicado Estávamos no inverno e o sol já estava indo acordar os japoneses. Chegamos a rua onde ficava o tal terreno e entramos por uma trilha estreita. Uns dez minutos de busca e nada de nada. Pensei, até com um pouco de preconceito: é mais uma alucinação desse velho louco.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Saímos do mato calados e eu desconfiando que havia caído numa balela. meu amigo Cláudio cabisbaixo pensando talvez o mesmo e o velho olhando para frente fazendo cálculos. De repente grita:<br>Entramos na trilha errada! A entrada é mais adiante.<br>E seguimos atrás do guia, por assim dizer, até outra entrada na vegetação primária da Mata Atlântico.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A terra girou mais um pouco e a iluminação solar se foi. Mas ainda havia um tiquinho de luminosidade quando encontramos a árvore onde o tal cadáver repousava.<br>Era uma árvore de porte médio, com copa larga com galhos chegando até o chão &#8211; parecendo uma oca indígena.<br>Entramos com certa dificuldade afastando os galhos mais finos a ao chegarmos embaixo da copa não havia cadáver algum. Apenas um esqueleto, totalmente limpo, sem nenhum vestígio de carne, músculos ou cabelos. Apenas ossos limpos, todos em seus lugares como se apenas pequenos animais como répteis ou insetos tivessem comido aquele mórbido ( ao menos aos meus olhos). banquete.<br>O senhor que indicou o lugar estava tranquilo, o amigo Cláudio meio nervoso e eu, ex- coveiro de profissão, não titubeei e comecei a fotografar o que restava do corpo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Usava uma câmera Leica digital, coisa do Marcelo Lartigue, que sempre procurou ter no jornal o que havia de melhor em fotografia e computação.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Satisfeito com os registros, sai da cena bem devagar, arrastando os pés para apagar as marcas do meu sapato ( os outros estavam de Havaianas), e em minutos chegamos na rua.<br>Eu tranquilo, meu amigo extasiado e o senhor que havia descoberto o esqueleto se vangloriando , como tivesse se redimindo das tantas vezes que mentiu.</p>



<p class="wp-block-paragraph">-Eu não falei! Viu? Agora vamos chamar a polícia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eu ia avisar a polícia. Era o certo. Mas havia um problema. O Perú Molhado, jornal mais tradicional da cidade pela primeira vez tinha um concorrente. Que apesar de só sair de terça à sábado se dizia diário. Estávamos numa terça-feira, o Perú fechava a edição na quinta e o jornal só chegava às ruas na sexta.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Se eu avisasse a polícia, o jornal Primeira Hora daria a notícia antes e todo meu trabalho seria inútil. Em verdade eu iria trabalhar para o concorrente.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Convenci meu amigo e o amigo dele a segurar a informação, fui para casa escrever a matéria e no outro dia informei tudo ao meu editor Marcelo Lartigue. Ele riu, concordou com minha estratégia e depois de baixar as fotos no computador, enviei para o diagramador fazer os tratamentos de luz .<br>Toda a redação do jornal sabia do furo de reportagem e eu, aguardava ansioso o momento de informar a polícia. Tinha que ser na quinta, preferencialmente no fim do dia. Enquanto ainda houvesse iluminação natural ( minhas fotos me dedurariam) mas tarde o suficiente para o Primeira Hora não ter tempo de cobrir. Diferente do Perú Molhado (que era uma bagunça onde não respeitávamos hierarquia, horários ou até mesmo as regras gramaticais), o PH tinha hora para fechar a edição e eu sabia que eles não passavam das seis da tarde.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Eu no entanto tinha um problema: como explicar a descoberta da ossada? A polícia poderia me perguntar afinal, a mesma estava dentro do mato, longe dos olhos de todos.<br>-,Aguém me ligou, pensei em responder.<br>Meu medo era ser acusado de ocultação de cadáver. Afinal se eu sabia há alguns dias que havia uma pessoa morta e mesmo assim nao reportei a polícia, poderia ter cometido um crime.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Comprei um cartão de telefone público, fui até um Orelhão que havia na Rua das Pedras e liguei para meu celular. Atendi, e por óbvio fiquei calado contando os segundos que seriam suficientes para uma conversa sobre a descoberta de um cadáver e sai tranquilo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Meu álibi estava pronto. Sou repórter de um jornal conhecido, alguém me ligou de maneira anônima e sim, achei o que restou do corpo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Em tempo: nessa época não havia como rastrear os celulares e nem câmeras de vídeo em todas as ruas e esquinas.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mais tranquilo, caminhei até a rua onde estava a trilha e ao chegar perto gelei. Meu plano tinha um furo.<br>E se alguém, ou até mesmo um cachorro tivesse mexido no morto? Minhas fotos mostravam um esqueleto deitado de frente, com o que restava de uma mochila de escola embaixo do crânio e perfeitamente completo. Parecia a primeira vista que a pessoa deitou para dormir e faleceu.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Não! Eu teria que voltar ao local, e desta vez sozinho e refazer outras fotos. Foi o que fiz e para minha sorte tudo estava do jeito de deixamos. Dessa vez deixei de propósito as marcas do meu sapato número 45/46.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ato seguinte, liguei para o 190.<br>Foram cinco tentativas em vão e quase desisti. Na sexta alguém atendeu e eu tentei explicar o fato.</p>



<p class="wp-block-paragraph">-Mas o corpo está aonde?, perguntou o policial.</p>



<p class="wp-block-paragraph">-Não tem corpo, são só ossos?</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Você tem certeza que é de humano?</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">-Sim! Tem crânio, úmeros, costelas, fêmur, patela, e até falanges. É humano sim. Já fui coveiro e sei reconhecer um esqueleto humano.</p>



<ul class="wp-block-list">
<li>Aliás, quem quem está falando, perguntou o policial.</li>
</ul>



<p class="wp-block-paragraph">Nesse momento lembrei que nem havia me anunciando.</p>



<p class="wp-block-paragraph">-Desculpe, meu nome e Sandro Peixoto e trabalho no jornal O Perú Molhado. Alguém me ligou informando que havia uma pessoa morta dentro do mato. Vim até o local e achei um esqueleto.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O policial pediu para eu ficar aonde estava e disse que iria mandar uma viatura.</p>



<p class="wp-block-paragraph">O celular marcava 17:45hs.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ansioso para me livrar do caso, fui até a esquina esperar a chegada da polícia. Minutos depois vejo uma viatura se aproximando mas ela passa direto. Minutos depois enfim aparecem duas viaturas e sem me surpreender, chega também uma equipe de jornalismo, com repórter e fotógrafo do Primeira Hora. Ao que parece havia uma boa relação entre a polícia e o jornal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Indiquei aos policiais o local do &#8221; corpo &#8221; e ao me afastar fui inquirido pela jornalista do Primeira Hora. Ela queria saber como estava a situação. Já estava escurecendo e eu, ainda temeroso em perder a notícia, taquei o terror.</p>



<p class="wp-block-paragraph">-Amiga, é uma coisa horrível, estou até agora querendo vomitar. Fosse vocês não iria lá.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A jornalista fez cara de enjoo, o fotógrafo não se pronunciou e assim foram embora.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Mais tranquilo, fiquei sozinho esperando a volta dos PMs. Quando enfim voltaram me disseram que iriam chamar os peritos da Polícia Civil, em Cabo Frio.<br>Eu sabia que iriam demorar e então fui embora satisfeito e feliz por minha estratégia ter dado certo. Mas minha paz durou pouco.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Ao tentar atravessar a Estrada da Usina, um amigo que trabalhava numa loja de turismo no Shopping Tatui veio em minha direção e perguntou o porquê de tanta polícia naquela área.<br>Contei que tinha alguém morto naquele local e para minha surpresa ele respondeu:</p>



<p class="wp-block-paragraph">-Eu vi você com o Cláudio e outro senhor entrando no mato terça-feira.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Rapidamente inventei uma desculpa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">-Verdade. Uma pessoa ligou pro jornal falando que havia alguém morto naquele lugar. Naquele dia viemos procurar mas não achamos. Hoje o cara ligou de novo e eu achei e chamei a polícia.</p>



<p class="wp-block-paragraph">E sai de fininho em direção à Redação do jornal onde a edição daquela semana estada sendo fechada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">PS: dias depois fiquei sabendo que o morto era um funcionário de um famoso restaurante da cidade, e que foi morto com dois tiros. Os peritos ao resgatarem os ossos encontraram na parte de trás do crânio marcas da saída de duas balas de revólver</p>



<figure class="wp-block-image alignleft size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="565" height="565" src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Sandro-Peixoto.jpeg" alt="" class="wp-image-160955" srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Sandro-Peixoto.jpeg 565w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Sandro-Peixoto-300x300.jpeg 300w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/Sandro-Peixoto-150x150.jpeg 150w" sizes="(max-width: 565px) 100vw, 565px" /><figcaption class="wp-element-caption">Sandro Peixoto é escritor e cronista de Búzios. Foi reporter de O Perú Molhado. </figcaption></figure>
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		<item>
		<title>O diabo são os outros</title>
		<link>https://prensadebabel.com.br/o-diabo-sao-os-outros-sandro-peixoto-coleta-de-lixo-buzios/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sandro Peixoto]]></dc:creator>
		<pubDate>Wed, 14 Jan 2026 11:34:23 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Análise]]></category>
		<category><![CDATA[Opinião]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Muito se falou nos últimos meses sobre o péssimo serviço de coleta de lixo em nossa cidade, agora sob a responsabilidade da prefeitura depois que a empresa concessionária contratada pelo município não renovou o contrato. Se a coleta já não era lá essas coisas antes, quando uma empresa com expertise na área era a responsável, [&#8230;]</p>
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<div class="prens-post_esquerda_inicio prens-entity-placement" style="float: right;" id="prens-1671848023"><div id="prens-3497936379"><a href="https://loja.prensadebabel.com.br/" target="_blank" aria-label="livro deva 2"><img src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/livro-deva-2.jpeg" alt=""  srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/livro-deva-2.jpeg 656w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/livro-deva-2-300x300.jpeg 300w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/livro-deva-2-150x150.jpeg 150w" sizes="(max-width: 656px) 100vw, 656px" width="300" height="250"   /></a></div></div><p class="wp-block-paragraph">Muito se falou nos últimos meses sobre o péssimo serviço de coleta de lixo em nossa cidade, agora sob a responsabilidade da prefeitura depois que a empresa concessionária contratada pelo município não renovou o contrato.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>Se a coleta já não era lá essas coisas antes, quando uma empresa com expertise na área era a responsável, imagine você, como ficou quando a prefeitura, sem nenhuma tradição no setor assumiu para si a responsabilidade!</p>



<p class="wp-block-paragraph">O que vimos foi um sistema que já era ruim, colapsar. No entanto, quero chamar à atenção para outras questões. Que a prefeitura faz um péssimo serviço ninguém dúvida e com certeza até o prefeito e o secretário da pasta responsável deve concordar. Cegueira tamanha não deve haver.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>Eu no entanto, proponho dividir o problema em partes pois acreditar que está ruim só porque a prefeitura não sabe trabalhar ou o prefeito não se importa torna a discussão rasa demais.</p><div class="prens-meio-do-post prens-entity-placement" id="prens-196794640"><div id="prens-444169166"><a href="https://loja.prensadebabel.com.br/" target="_blank" aria-label="wide_horizontal_banner_design_a_clean_elegant_bo_1"><img src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/wide_horizontal_banner_design_a_clean_elegant_bo_1.png" alt=""  srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/wide_horizontal_banner_design_a_clean_elegant_bo_1.png 1080w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/wide_horizontal_banner_design_a_clean_elegant_bo_1-300x53.png 300w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/wide_horizontal_banner_design_a_clean_elegant_bo_1-1024x182.png 1024w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/wide_horizontal_banner_design_a_clean_elegant_bo_1-768x137.png 768w" sizes="(max-width: 1080px) 100vw, 1080px" width="1212" height="165"   /></a></div></div>



<figure class="wp-block-gallery has-nested-images columns-default is-cropped wp-block-gallery-1 is-layout-flex wp-block-gallery-is-layout-flex">
<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="576" height="1024" data-id="160956" src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/WhatsApp-Image-2026-01-13-at-10.50.51-576x1024.jpeg" alt="" class="wp-image-160956" srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/WhatsApp-Image-2026-01-13-at-10.50.51-576x1024.jpeg 576w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/WhatsApp-Image-2026-01-13-at-10.50.51-169x300.jpeg 169w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/WhatsApp-Image-2026-01-13-at-10.50.51-768x1365.jpeg 768w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/WhatsApp-Image-2026-01-13-at-10.50.51-864x1536.jpeg 864w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/WhatsApp-Image-2026-01-13-at-10.50.51.jpeg 900w" sizes="(max-width: 576px) 100vw, 576px" /></figure>



<figure class="wp-block-image size-large"><img loading="lazy" decoding="async" width="765" height="1024" data-id="160957" src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/WhatsApp-Image-2026-01-13-at-10.50.52-765x1024.jpeg" alt="" class="wp-image-160957" srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/WhatsApp-Image-2026-01-13-at-10.50.52-765x1024.jpeg 765w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/WhatsApp-Image-2026-01-13-at-10.50.52-224x300.jpeg 224w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/WhatsApp-Image-2026-01-13-at-10.50.52-768x1027.jpeg 768w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/WhatsApp-Image-2026-01-13-at-10.50.52-1148x1536.jpeg 1148w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/01/WhatsApp-Image-2026-01-13-at-10.50.52.jpeg 1196w" sizes="(max-width: 765px) 100vw, 765px" /></figure>
</figure>



<p class="wp-block-paragraph">Então ficamos assim: concordamos que o serviço era ruim e piorou quando a prefeitura assumiu a responsabilidade. Mas e o povo? A sociedade por acaso faz ou fez algo para ajudar a melhorar a grave situação visto que lixo nas ruas prejudica principalmente a ela mesma? Não! Infelizmente não. O que assistimos é um total descaso e falta de responsabilidade por parte da maioria dos moradores de Búzios. Mas essa regra não é privilégio aprnas nosso. O brasileiro em geral, acha que dá porta pra fora o problema é dos outros. Jogam seus lixos nas ruas e calçada ( muitas das vezes nas calçadas dos vizinhos) sem o menor pudor, de qualquer jeito e a qualquer hora.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>Juntam suas &#8221; basuras&#8221; em sacos reaproveitados de mercados, jogam em qualquer lugar e decretam: isso já não é mais problema meu.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A prefeitura tentando agilizar a coleta, comprou contendores de lixo de Polietileno de alta densidade com capacidade para até 500 litros( ou 350 kg) que são ótimos para condomínios e empresas mas que não servem para a coleta pública. Principalmente numa cidade como a nossa o de a civilidade e responsabilidade civil<br>ainda é desconhecida pela maioria.<br>E o que vemos é todo o tipo de descarte sendo jogado nos contendores. Desde resto de obras até armários de sofás. Lógico que a lixeira não aguenta. E para piorar, algumas pessoas sem o mínimo de inteligência, talvez querendo protestar contra a falta de coleta e o consequentemente acúmulo de detritos, passaram a colocar fogos nos contendores, piorando assim, o sistema de coleta.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>A verdade é que nem a prefeitura pode fazer esse tipo de trabalho por total falta de experiência, nem a sociedade buziana merece ter um sistema de coleta moderno e eficiente.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>Simplesmente porque não colabora, não faz o mínimo, tipo, jogar nos contendores o lixo na hora certa, de maneira certa e o lixo certo. Resto de obras, móveis quadrados e galhos de árvores não lixos comuns. São entulhos e a prefeitura tem sim, um sistema separado de coleta para esses casos. Com dias marcados, basta o interessado procurar.</p>



<p class="wp-block-paragraph"><br>Para finalizar um pedido. Chega dessa história de cobrar só de um lado. Vivemos numa sociedade, ou seja, somos todos sócios da cidade. Sem o povo não mudar seus velhos e irresponsáveis atos e mesmo assim desejarem um sistema de coleta perfeito, uma cidade limpa e cheirosa,lamento afirmar que teríamos que gastar bilhões.<br>Cidade limpa não é a que mais se limpa e sim, a que menos se suja.</p>
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		<item>
		<title>Adeus Brigitte, adeus Búzios</title>
		<link>https://prensadebabel.com.br/adeus-brigitte-adeus-buzios-sandro-peixoto/</link>
		
		<dc:creator><![CDATA[Sandro Peixoto]]></dc:creator>
		<pubDate>Mon, 29 Dec 2025 13:17:56 +0000</pubDate>
				<category><![CDATA[Opinião]]></category>
		<category><![CDATA[Búzios]]></category>
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					<description><![CDATA[<p>Faleceu hoje aos 91 anos na cidade de Toulon (sul da França), Brigitte Anne-Marie Bardot, mundialmente conhecida apenas como Brigitte Bardot &#8211; uma das maiores atrizes da história do cinema mundial. Quem morreu hoje foi uma mulher velha e ranzinza, que durante a juventude enlouquecia os homens e provocava inveja nas mulheres, mas que não [&#8230;]</p>
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<div class="prens-post_esquerda_inicio prens-entity-placement" style="float: right;" id="prens-1671848023"><div id="prens-2440985125"><a href="https://institutodominus.com.br/" target="_blank" aria-label="ANÚNCIO DOMINUS - QUADRADO LATERAL - 600x400px"><img src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2025/10/MatriculasDominus_Posts_600x400px.jpg" alt="ANÚNCIO DOMINUS - QUADRADO LATERAL - 600x400px"  srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2025/10/MatriculasDominus_Posts_600x400px.jpg 601w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2025/10/MatriculasDominus_Posts_600x400px-300x200.jpg 300w" sizes="(max-width: 601px) 100vw, 601px" width="300" height="250"   /></a></div></div><p class="wp-block-paragraph">Faleceu hoje aos 91 anos na cidade de Toulon (sul da França), Brigitte Anne-Marie Bardot, mundialmente conhecida apenas como Brigitte Bardot &#8211; uma das maiores atrizes da história do cinema mundial. Quem morreu hoje foi uma mulher velha e ranzinza, que durante a juventude enlouquecia os homens e provocava inveja nas mulheres, mas que não sobreviveu ao tempo, como qualquer ser vivo.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Essa Brigitte Bardot que faleceu hoje, já havia morrido para os buzianos após o réveillon de 1965, em sua segunda visita a aldeia quando resolveu antecipar sua partida por causa do assédio dos jornalistas do Brasil e do mundo. Ela se foi, e ficamos com aquela imagem congelada na memória e que pode ser visitada até hoje na orla que lhe presta homenagem.</p>



<p class="wp-block-paragraph">&nbsp;A diva se foi para nunca mais voltar e ninguém na cidade se interessou mais por ela. O bem já estava feito e não era preciso agradecer por nada. Bardot seguiu sua vida nos holofotes de fama e da glória e a aldeia de pescadores começou a viver da publicidade grátis que ganhou da bela dama. Se Deus criou a mulher, segundo o cineasta Roger Vadim, La Bardot criou Búzios, que era apenas mais e tão somente, uma simples aldeia de pescadores sem nenhum glamour, como tantas no Brasil.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foi o aval da francesa que atraiu para a aldeia (depois os argentinos tiveram grande importância, mas falaremos disso em outro momento), gente do mundo inteiro e transformou o que era um povoado arcaico e, sem ofensas, primitivo, num dos destinos turísticos mais cosmopolita do litoral brasileiro. Não se enganem: sem essa fama mundial repentina, seriámos uma Arraial do Cabo da vida, que tem natureza mais bela que a nossa, mas não tem uma sociedade tão plural e miscigenada.</p><div class="prens-meio-do-post prens-entity-placement" id="prens-196794640"><div id="prens-2647108919"><a href="https://www.instagram.com/lopesmoradiacarioca/" target="_blank" aria-label="BANNER 2"><img src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/09/BANNER-2.png" alt=""  srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/09/BANNER-2.png 1069w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/09/BANNER-2-300x72.png 300w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/09/BANNER-2-1024x247.png 1024w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2026/09/BANNER-2-768x185.png 768w" sizes="(max-width: 1069px) 100vw, 1069px" width="1069" height="258"   /></a></div></div>



<p class="wp-block-paragraph">Búzios nunca amou, ou sequer se importou com Brigitte Anne-Marie Bardot. A cidade (principalmente os comerciantes) ama o personagem, admira aquela Brigitte Bardot de 30 anos, em plena forma física que de biquini provocou muitos sonhos eróticos nos jovens da cidade. Em troca de tão importante aval, nossa cidade nunca lhe deu nada. Lembro que um dia, durante o governo do prefeito Toninho Branco, quando Búzios tinha um acordo turístico com a cidade francesa de Saint Tropez, alguém teve a maluca ideia de fazer uma cópia da estátua que temos na Orla Bardot e instalar na Place des Lices &#8211; a mais famosa de lá.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Brigitte morava na famosa cidade da Riviera francesa, numa chácara de nome Ville La Madrague, onde mantinha uma Fundação de proteção aos animais. Informações da mídia local dizem que a musa se transformou numa pessoa arrogante, com pensamentos de extrema direita e&nbsp; que passou a ofender os seres humanos e adorar os animais.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Foi nessa ocasião que as autoridades buzianas tiveram a&nbsp; infeliz ideia de levar uma estátua de uma pessoa que continuava viva, mas que não mantinha mais nenhum traço da obra feita em bronze pela artista Christina Motta. Ela iria odiar com certeza e por fim e a cabo, a ideia foi abortada.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Meses antes, em entrevista a um jornal francês, Brigitte disse que ficou sabendo das mudanças que sua visita causou naquela velha e simples aldeia brasileira. Ela lamentou o fato de que Búzios, outrora com suas ruas de terra tenha se transformado numa cidade com todos os problemas sociais que outras cidades pobres do mundo e perdido&nbsp; suas características. De fato, assim como La Bardot, Búzios envelheceu e mudou. Nossa cidade ficou velha, feia e de extrema direita. Na última eleição, por exemplo, o nazifascista Jair Bolsonaro recebeu quase 70% dos votos dos buzianos.</p>



<p class="wp-block-paragraph">Apesar do bilhões dos royalties, somos hoje uma cidade pobre com violência em alta, praias desordenadas quando não poluídas, trânsito caótico e comércio à beira da falência. Nossas riquezas foram tão mal distribuídas que nem sequer criamos uma elite financeira. Somos uma cidade de PIB alto, mas de renda <em>per capita</em> baixa.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A senhora Brigitte morreu hoje, e merecia que a data fosse aqui, oficializada como feriado municipal.</p>



<p class="wp-block-paragraph">A Búzios da Brigitte morreu faz tempo e vive de um passado que não volta mais.</p>



<figure class="wp-block-image size-full"><img loading="lazy" decoding="async" width="744" height="1007" src="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2025/11/510966258_24174826652111826_9220918261922732737_n.jpg" alt="" class="wp-image-158926" srcset="https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2025/11/510966258_24174826652111826_9220918261922732737_n.jpg 744w, https://prensadebabel.com.br/wp-content/uploads/2025/11/510966258_24174826652111826_9220918261922732737_n-222x300.jpg 222w" sizes="(max-width: 744px) 100vw, 744px" /><figcaption class="wp-element-caption">Em 2014, durante o governo André Granado, a Prefeitura de Búzios recebeu uma carta oficial enviada por Brigitte Bardot — um gesto raro, em que ela declarava ter sido feliz em sua passagem pela antiga vila de pescadores. A redação de O Peru Molhado, comandada por Victor P. Viana e com Sandro Peixoto de volta à equipe após a morte de Marcelo Lartigue, tentou acesso ao conteúdo para publicar no jornal. A comunicação da prefeitura recusou, de forma ríspida, liberar a carta. Diante da negativa, o jornal decidiu imaginar o que Bardot poderia ter dito aos buzianos — e nasceu a capa histórica: “Me esqueçam!”. A edição gerou atrito com o governo, que era anunciante, levando o jornal, na semana seguinte, a publicar um encarte conciliador: a foto de Bardot jovem acompanhada da frase “não acreditem em mim: continuem me amando”. A partir dali, surgiria uma das colunas mais célebres da fase moderna do jornal: Brigitte Bipolar. </figcaption></figure>



<figure class="wp-block-embed is-type-wp-embed is-provider-prensa-de-babel wp-block-embed-prensa-de-babel"><div class="wp-block-embed__wrapper">
<blockquote class="wp-embedded-content" data-secret="QurvOIhnhm"><a href="https://prensadebabel.com.br/brigitte-bardot-legado-buzios-musa-fundadora/">Brigitte Bardot, a Musa que Deu Luz a Búzios, Parte Deixando um Legado Eterno</a></blockquote><iframe class="wp-embedded-content" sandbox="allow-scripts" security="restricted"  title="“Brigitte Bardot, a Musa que Deu Luz a Búzios, Parte Deixando um Legado Eterno” — Prensa de Babel" src="https://prensadebabel.com.br/brigitte-bardot-legado-buzios-musa-fundadora/embed/#?secret=JjU3Q7kEol#?secret=QurvOIhnhm" data-secret="QurvOIhnhm" width="600" height="338" frameborder="0" marginwidth="0" marginheight="0" scrolling="no"></iframe>
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