Pular para o conteúdo
Pesquisar
Degradê com CSS

Filme transforma racismo em narrativa afrofuturista

Filme transforma racismo em narrativa afrofuturista
Filme transforma racismo em narrativa afrofuturista

E se, no futuro, pessoas negras tivessem apenas um dia por ano para existir e se expressar plenamente? É dessa provocação que nasce o filme "Dia de Preto", ficção científica afrofuturista com a proposta de tornar o cinema um espaço de memória, crítica social, resistência e disputa do imaginário sobre o Brasil.

O filme "Dia de Preto", dirigido pelo cineasta paulista Beto Oliveira e produzido pela Frame7 Cinema, passou a integrar o catálogo da recém-lançada plataforma brasileira Tela Brasil após uma trajetória marcada por exibições em festivais de cinema, mostras dedicadas aos direitos humanos e eventos voltados ao protagonismo negro no audiovisual.

Produzido pela Frame7 Cinema, o filme apresenta uma narrativa ambientada em um futuro distópico no qual pessoas negras possuem apenas um único dia do ano para ocupar livremente os espaços públicos e celebrar sua identidade, ancestralidade e negritude. A trama acompanha Carolina, personagem interpretada por Dona Marta Joana, uma mulher negra de 65 anos que se prepara para o chamado "Dia de Preto", data que também remete simbolicamente ao Dia de Zumbi dos Palmares. Durante esse processo, a personagem revisita memórias atravessadas pelo luto, pela violência racial e pela histórica resistência periférica.

A obra tem despertado atenção por utilizar elementos da ficção especulativa para abordar questões contemporâneas relacionadas ao racismo estrutural, à exclusão social e à permanência das desigualdades raciais no Brasil.

O filme acumulou participações em festivais nacionais e internacionais, entre eles o Political Film Festival Los Angeles, nos Estados Unidos, o Antirasistiska Filmdagar, na Suécia, o Cine Kugoma, em Moçambique, além de mostras brasileiras como Curta Cinema, Encontro de Cinema Negro Zózimo Bulbul, Visões Periféricas, Festival Entretodos e Festival de Cinema de Caruaru.

A produção também integrou sessões da Cinemateca Brasileira e do Cine Brasília, e foi selecionada para eventos voltados aos direitos humanos e ao cinema negro contemporâneo.

Parte da repercussão do filme está associada à atuação de Dona Marta Joana, que conduz a narrativa por meio de uma interpretação marcada pela delicadeza emocional e pela representação de uma mulher negra idosa raramente colocada no centro de histórias de ficção científica e distopia social. A personagem Carolina transforma experiências individuais em uma discussão coletiva sobre pertencimento, memória e sobrevivência.

Além da direção, Beto Oliveira assina o roteiro e a fotografia da obra. O cineasta tem desenvolvido trabalhos voltados à valorização de narrativas negras e periféricas, explorando temas ligados à ancestralidade, identidade e justiça social.

Em "Dia de Preto", esses elementos aparecem articulados a uma estética que combina realismo social e imaginação futurista.

Entre os bastidores da produção, destaca-se a construção de um universo distópico realizado a partir de recursos independentes e soluções criativas de direção de arte, fotografia e performance. O resultado tem sido apontado por curadores e programadores de festivais como uma obra que amplia o diálogo entre cinema negro brasileiro e narrativas afrofuturistas.

Além de sua abordagem temática, "Dia de Preto" também chama atenção pelo território onde foi concebido e produzido. Parte significativa do desenvolvimento do filme aconteceu na Comunidade Renascer, localizada na cidade de Piracicaba, interior do estado de São Paulo.

A participação de moradores da comunidade e a valorização de suas vivências também aproximam o filme de movimentos contemporâneos do cinema periférico brasileiro, que buscam descentralizar a produção audiovisual dos grandes centros e ampliar o protagonismo de narrativas produzidas a partir das margens sociais e urbanas.

Com a chegada ao catálogo da plataforma pública Tela Brasil, "Dia de Preto" amplia sua circulação digital e passa a integrar o conjunto de obras brasileiras disponibilizadas para acesso online. A presença do filme na plataforma contribui para a difusão de produções independentes que abordam temas relacionados à memória, identidade, direitos humanos e representatividade negra no audiovisual contemporâneo.

Além da disponibilização gratuita, a obra conta com recursos de acessibilidade, ampliando o acesso de diferentes públicos ao conteúdo e reforçando a importância da inclusão cultural no ambiente digital. A adoção desses recursos acompanha as diretrizes de democratização do acesso ao audiovisual e fortalece o alcance social da produção.

A obra pode ser acessada gratuitamente por meio da plataforma Tela Brasil, iniciativa voltada à democratização do acesso ao cinema nacional e à valorização da produção audiovisual brasileira. O filme está disponível no endereço: Tela Brasil – Dia de Preto.

A disponibilização do curta em ambiente digital ocorre após sua trajetória por festivais nacionais e internacionais, ampliando o alcance de uma narrativa construída a partir da periferia do interior paulista e conectada a debates contemporâneos sobre racismo estrutural, pertencimento, memória coletiva e resistência social.

Sandro Peixoto

Sandro Peixoto, jornalista, cronista de Búzios, foi repórter em O Perú Molhado

Octavio Raja gabaglia

Octavio Raja Gabaglia, o carismático Otavinho, é um nome que ressoa nas praias, encostas e telhados de Búzios. Esse arquiteto genial, conhecido pelo bom papo e pela mente afiada, conseguiu, com engenhosidade, domar os ventos, convidar a luz do sol para habitar as casas com gentileza, além de convencer a paisagem exuberante a fazer parte de sua obra.

Noticiário das Caravelas

Búzios Feed

As melhores experiências de Búzios em um só lugar! Descubra histórias, dicas e memórias inesquecíveis dessa cidade paradisíaca. Compartilhe seu momento e faça parte dessa viagem!

Matérias Relacionadas

Escolas em áreas de risco e saúde materna entram na pauta da Câmara de Macaé

Proposta prevê comissão técnica para monitorar Rio Una e investigar fontes de poluição na bacia hidrográfica

Instituto Dominus aposta em ensino médio de excelência com foco em vestibulares e desenvolvimento dos alunos

Mi Búzios aposta na cultura latino-americana e movimenta cidade no fim de semana

NOTÍCIAS DE GRAÇA NO SEU CELULAR

A Prensa está sempre se adaptando às novas ferramentas de distribuição do conteúdo produzido pela nossa equipe de reportagem. Você pode receber nossas matérias através da comunidade criada nos canais de mensagens eletrônicas Whatsaap e Telegram. Basta clicar nos links e participar, é rápido e você fica por dentro do que rola na Região dos Lagos do Rio de Janeiro.

[mailpoet_form id="2"]