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Balé reduz riscos à saúde mental durante a adolescência

Balé reduz riscos à saúde mental durante a adolescência
Balé reduz riscos à saúde mental durante a adolescência

Em um cenário em que especialistas já classificam como crise silenciosa, o estado mental de adolescentes desponta entre as principais preocupações globais de saúde pública. Dados da Organização Mundial da Saúde indicam que um em cada sete adolescentes no mundo enfrenta algum transtorno mental, sendo ansiedade e depressão os mais prevalentes. No Brasil, a realidade também é alarmante: estimativas apontam que um em cada seis adolescentes entre 10 e 19 anos apresenta comprometimento da saúde mental, segundo o UNICEF.

Além disso, a adolescência concentra um ponto crítico: metade das condições de saúde mental começa a se manifestar por volta dos 14 anos, conforme a própria OMS. Os casos são subnotificados porque muitas vezes o diagnóstico é tardio ou o tratamento inadequado. O impacto é profundo — a depressão já figura entre as principais causas de incapacidade entre os jovens, e o suicídio está entre as principais causas de morte nessa faixa etária, também de acordo com a OMS.

No Brasil, o agravamento recente reforça o alerta: atendimentos por ansiedade em jovens cresceram de forma expressiva na última década, segundo dados do Sistema Único de Saúde – SUS. Levantamentos amplamente divulgados indicam aumentos exponenciais nos registros, com destaque para dados do DATASUS.

É neste cenário que o balé desponta como uma modalidade indicada para preservação da saúde mental e incremento de bem-estar. Estudos publicados em bases científicas internacionais, como revisões indexadas na National Library of Medicine, mostram que a prática da dança promove redução da ansiedade, melhora da autoestima e fortalecimento dos recursos emocionais, além de estimular conexões sociais e facilitar a expressão de sentimentos.

Pesquisas recentes também indicam que a prática da dança e atividades artísticas estão associadas à liberação de neurotransmissores ligados ao bem-estar, como endorfina e dopamina, conforme estudos em neurociência do comportamento publicados em periódicos científicos internacionais indexados na PubMed.

O balé como estratégia de desenvolvimento integral

Mais do que uma atividade artística, o balé exige concentração, memória, disciplina e resiliência — competências essenciais para o desenvolvimento emocional saudável na adolescência. A Organização Pan-Americana da Saúde destaca que práticas regulares que combinam atividade física, desenvolvimento emocional e interação social são fundamentais para proteger a saúde mental Elisa Neves, aos 13 anos, vive plenamente os resultados de um estilo de vida sustentado pelos benefícios que o balé promove.

A jovem bailarina trilha um caminho que vai na contramão desse contexto preocupante. Bailarina do quarto ano da Escola do Teatro Bolshoi no Brasil, ela está inserida em uma rotina que alia rigor técnico, expressão artística e desenvolvimento emocional — fatores que a ciência já reconhece como protetivos para a saúde mental. "Acredito que a trajetória de Elisa representa mais do que a formação de uma bailarina profissional, mas um modelo de desenvolvimento que integra corpo, mente e propósito", ressalta a mãe, Elaine Neves. "A disciplina do balé tem o contraponto da expressão de emoções não verbalizadas e eu percebo em Elisa o ganho de resiliência que aparece no desempenho acadêmico, na socialização e em outras esferas da vida, fora do palco", complementa.

Talento em formação e construção de futuro

Na metade de sua formação concluída no Bolshoi e outros quatro anos pela frente, Elisa precisa cumprir com rigor, a disciplina pela formação de excelência, mas demonstra capacidade de sustentar o desenvolvimento sem comprometimento. "Em um tempo em que adolescentes enfrentam níveis crescentes de ansiedade, pressão social e sobrecarga emocional, sua jornada reforça o papel da arte como instrumento concreto de transformação — individual e social", ressalta a psicóloga Fernanda Pinedo.

Mais do que uma promessa da dança, Elisa Neves se posiciona como um exemplo contemporâneo de como disciplina, arte e ciência podem caminhar juntas na construção de uma geração mais saudável, resiliente e preparada para o futuro.

Sandro Peixoto

Sandro Peixoto, jornalista, cronista de Búzios, foi repórter em O Perú Molhado

Octavio Raja gabaglia

Octavio Raja Gabaglia, o carismático Otavinho, é um nome que ressoa nas praias, encostas e telhados de Búzios. Esse arquiteto genial, conhecido pelo bom papo e pela mente afiada, conseguiu, com engenhosidade, domar os ventos, convidar a luz do sol para habitar as casas com gentileza, além de convencer a paisagem exuberante a fazer parte de sua obra.

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