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Indicadores frágeis de ESG impactam governança corporativa

Indicadores frágeis de ESG impactam governança corporativa
Indicadores frágeis de ESG impactam governança corporativa

Nos últimos anos, o ESG — sigla em inglês para Environmental, Social and Governance (Ambiental, Social e Governança) — deixou de ser apenas um discurso institucional e passou a impactar diretamente a remuneração executiva. Atualmente, normas internacionais como as estabelecidas pela Corporate Sustainability Reporting Directive (CSRD) e a diretriz IFRS S2, além da pressão de investidores e clientes corporativos, têm exigido que metas sustentáveis vinculadas a bônus executivos sejam comprovadas com dados primários e auditoria independente.

De acordo com Lucas Nicoleti, CEO da Ecomilhas, as companhias de capital aberto em diferentes mercados já vinculam entre 10% e 30% do bônus variável da liderança a metas sustentáveis. Estudos internacionais reforçam a tendência de transformar a sustentabilidade em fator direto de governança. Um levantamento da KPMG aponta que 78% das empresas de capital aberto avaliadas já atrelam metas ESG à remuneração executiva.

Além disso, a pesquisa revela que 88% das empresas que especificam as metas de sustentabilidade usadas na remuneração dos membros do conselho alinham esses indicadores a temas ESG relevantes para seus negócios, embora varie de país para país.

Segundo o executivo, pressões regulatórias, de capital e operacionais convergiram para que o ESG saísse da pauta institucional e passasse a influenciar a remuneração executiva. "Quando ESG vira KPI de bônus, o executivo trata as metas como linha de receita, e não como compliance. É um alinhamento clássico de incentivos: o que está no bolso, está na pauta da reunião de segunda".

"As métricas mais maduras hoje são redução de Scope 1 e 2, diversidade na liderança e segurança do trabalho. O ponto crítico é que o indicador precisa ser auditável, mensurável e material, e a tendência clara é migrar para Scope 3", acrescenta.

Um levantamento da McKinsey estima que o Scope 3 represente até 90% da pegada de carbono de uma empresa, enquanto relatório do CDP, divulgado pela IBM, mostra que as emissões da cadeia de suprimentos podem ser até 11 vezes maiores que as operacionais.

Embora as emissões indiretas sejam consideradas complexas, pois cobrem 15 categorias da cadeia de valor, incluindo fornecedores, logística, uso do produto e deslocamento de colaboradores, Nicoleti afirma que a maioria das empresas recorre a estimativas por gasto ou pesquisa, com margens de erro entre 30% e 70%. "A Categoria 7, deslocamento casa-trabalho, é o pior caso: depende do auto-reporte do colaborador, que erra por memória, conveniência ou desejo de ‘responder certo’".

A adoção de indicadores frágeis é apontada como um dos principais riscos do modelo. "Sem rastreabilidade, vira teatro. A Science Based Targets initiative (SBTi) rejeitou mais de 200 alvos em 2024 justamente por falta de evidência mensurável", aponta o executivo.

Para evitar que metas ESG ligadas à remuneração incentivem greenwashing, estratégia usada para promover indicadores como se fossem ambientalmente responsáveis, sem realmente atender aos critérios de sustentabilidade, Nicoleti defende três princípios: dado primário, auditoria independente e materialidade. "O teste é simples: a métrica resiste a uma due diligence externa? Se a resposta é ‘depende’, já é greenwashing".

Diante desse panorama, a Ecomilhas atua com tecnologia para monitorar e reduzir emissões corporativas. "Operamos uma plataforma B2B que rastreia passivamente, via GPS, os deslocamentos low-carbon dos colaboradores. O dado é primário, individualizado e auditado pela KPMG, com fatores sob GHG Protocol e MCTI. Esse dado alimenta diretamente o CDP, o GHG Protocol (seção 5.2) e a CSRD — sem retrabalho e sem fragilidade metodológica", finaliza.

Para saber mais, basta acessar: https://ecomilhas.notion.site/3644b6dc237e800b8b0af02de188d6e4?pvs=105

Sandro Peixoto

Sandro Peixoto, jornalista, cronista de Búzios, foi repórter em O Perú Molhado

Octavio Raja gabaglia

Octavio Raja Gabaglia, o carismático Otavinho, é um nome que ressoa nas praias, encostas e telhados de Búzios. Esse arquiteto genial, conhecido pelo bom papo e pela mente afiada, conseguiu, com engenhosidade, domar os ventos, convidar a luz do sol para habitar as casas com gentileza, além de convencer a paisagem exuberante a fazer parte de sua obra.

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