Guarda Municipal de Búzios já usa armas de choque e bala de borracha

Desde do dia 20 de dezembro de 2017 que um grupo especial já está autorizado a usar as chamadas armas de baixa letalidade

Desde 20 de dezembro de 2017 que a guarda municipal de Búzios, um grupamento especial denominado “Pronta Resposta”, já está usando as chamadas *armas não letais, que disparam dardos que emitem choques elétricos e também projéteis de borracha.

Foram capacitados em um curso realizado em maio de 2017 cerca de 140 agentes da guarda de Búzios. De acordo com a  Secretaria de Segurança do Município, há o objetivo de capacitar todos os guardas da cidade.

*Há uma discussão mundial para mudança na denominação deste tipo de armas para  de “baixa letalidade”, já que, de acordo com registros policiais e da imprensa, há, mesmo que em menor grau, o risco de morte devido o uso irresponsável do equipamento.

Em Búzios no momento existe diariamente uma viatura com quatro componentes autorizados a portar e utilizar o armamento em ocorrências  especiais, determinadas pela Secretaria de Segurança do Município.

“Um exemplo foi na manifestação no bairro Rasa, na semana passada,  sobre a falta de água. Os bombeiros chegaram pra apagar o fogo  dos pneus usados para fechar a via, porque acharam que  estava causando risco aos ocupantes dos automóveis que estavam no local. A população não queria permitir que os bombeiros realizassem o serviço. Este grupo da guarda foi chamado para auxiliar na mediação com os populares.”, conta o inspetor da guarda,  Marcos Antônio Sune  Perez.

Perez também afirma que as armas são especialmente usadas para a legitima defesa do agente, já que, o perfil da Guarda Municipal, com base na  lei 01322 de 2014, teria mudado.

“Não é mais guarda municipal que cuida do patrimônio e trânsito apenas, hoje a corporação está envolvida em diversas atividades em que o agente fica exposto ao risco.”,  comenta e cita o artigo 3º do estatuto da Guarda Civil  que preconiza que o dever desta instituição visa a  “proteção dos direitos humanos fundamentais, do exercício da cidadania e das liberdades públicas;  preservação da vida, redução do sofrimento e diminuição das perdas,  patrulhamento preventivo,  compromisso com a evolução social da comunidade, e  uso progressivo da força.”.

Perguntado sobre a preocupação de setores da sociedade – tendo como exemplo o vídeo que viralizou ano passado nas redes sociais em que um  guarda imobiliza um jovem (O Prensa publicou um outro vídeo visto por um angulo diferente do postado no Facebook), de possíveis excessos ou abuso de autoridade, o coordenador de segurança pública, Sargento Brum, comenta:

” A orientação é do uso progressivo da força. Ele, o agente, vai tentar sempre resolver verbalmente. O uso da arma somente em último caso. O objetivo é resolver pra não precisar usar.  Toda vez que fizer um disparo haverá uma lesão corporal, e não é esse o objetivo.”

A secretaria acredita  que  a recepção da população à novidade dos uso pela guarda dessas armas, mesmo com menos de um mês de atuação, é positiva.

“A prefeitura fez um pacotão de segurança. Agentes com armas não letais, parceria entre PM e guarda, monitoramento…. esse sentimento de segurança está sendo sentido. A aceitação está boa.”, avaliam.

Os agentes que realizaram o  treinamento da guarda de Búzios, são do município de Arraial do Cabo, onde a guarda municipal já faz uso deste tipo de armamento a cerca de quatro anos e não houve ainda nenhum registro de atos em que os agentes tenham precisado realizar um  disparo.

Perez explica que as balas de borracha só podem ser disparadas de uma distância de cerca de 20 metros e que todos os guardas foram treinados e estão cientes dessa  orientação que assegura a  não letalidade do armamento em caso de necessidade de uso.

Recentemente um jovem  morreu ao ser atingido por um projetil deste tipo durante uma manifestação em Pernambuco. Em 2013 uma repórter da Folha de São Paulo foi atingida no olho por uma dessas balas em uma manifestação em que realizava a cobertura.

Atividades de atuação 

A guarda armada é enviada, além de manifestações, para cobertura de ações de todas as, secretarias e outros atos municipais – visto ser  a proteção do patrimônio público e presença em ações municipais funções  primarias da instituição. Mas também atuação nas blitz de trânsito, rondas preventivas nas escolas e locais de maior aglomeração – neste período de verão praias, praças e ruas do centro. Nestes últimos utilizam  também motocicletas,  pela melhor mobilidade.

Política de cooperação 

” A palavra de ordem é cooperação entre  a guarda e a polícia militar.”,esclarece Brum, que    expõe que o efetivo  da polícia é pequeno em relação a guarda, por isso enxerga como positiva essa política de integração entre as duas forças.

“A polícia não pode disparar uma arma em uma manifestação, por exemplo.  É um risco. Por isso o uso da ação da guarda com arma de borracha pode ser usada em casos como em ter de dispersar uma multidão exaltada.”,  diz, mas  esclarece que,no entanto, não  se deve esperar que a guarda combata o crime no lugar da polícia. “Não é o foco de atuação da guarda  o combate ao crime. Só em situação de flagrante (nesse caso todo cidadão pode e deve).  Combate ao tráfico, por exemplo, é uma atuação da polícia.”,  finaliza.


Mais Informações

Balas de Borracha

A bala de borracha consiste em um projétil de látex muito semelhante às munições comuns, usadas em armas letais. Assim como essas munições, a bala de borracha é composta por uma capsula de pólvora, responsável por impulsionar o tiro. Sua ponta, no entanto, não é envolta por metal, mas sim por borracha.

Por esta característica, a bala de borracha não consegue perfurar a pele, mas, ainda assim, pode ser letal. Dependendo da distância do tiro e do local atingido na vítima, a bala de borracha pode causar a morte ou ferimentos graves. Nuca, cabeça, peito e rosto são áreas sensíveis a esta munição.

Entre as recomendações de uso deste armamento letal estão: atirar a pelo menos 20 metros de distância e em direção às pernas; usar em tumultos ou manifestações violentas para dispersar a multidão.

Arma de choque 

A Taser, chamado também de  equipamento elétrico incapacitante não letal, uma espécie de pistola que dispara, através de um dardo preso a um fio, uma carga elétrica com capacidade para derrubar um ser-humano por dor e desorientação, também pode ser usada sem os dardos. Encosta-se o dispositivo diretamente no corpo da pessoa-alvo, acionando o choque.  É considerada uma arma de baixa letalidade. Mas vale informar que somente nos Estados Unidos no período entre 2001 a 2008, matou 334 pessoas, sendo que 90% destas estavam desarmadas.

Relatos

Em 18 de Março de 2012, o brasileiro Roberto Laudísio Curti, de 21 anos, morreu depois de ser atingido por eletrochoques dispa-rados por armas taser da polícia de Sidney, na Austrália. – A ação policial teve início após o furto de um pacote de biscoitos em uma loja de conveniência durante a madrugada. A polícia australiana alega haver confundido o brasileiro com um ladrão do pacote de biscoitos”.

Matéria de propriedade do Prensa de Babel. Citar a fonte com link em republicações.

Leia também Mais do autor

Comentários estão fechados.