Por uma outra Cabo Frio

Por uma outra Cabo Frio

Fábio Emecê
Professor de português do estado do Rio de Janeiro, rapper e ativista de causas ant-racistas

Pra quem não sabe, sou cabo-friense, nascido na Clínica Santa Helena, atualmente com 36 anos. Tive breves passagens por outros territórios, mas no final, sempre aporto por Cabo Frio. Já fiz algumas coisas e hoje dou uma aula numa escola tradicional da cidade que é o Ismar Gomes de Azevedo.

Preâmbulo feito por um motivo básico que é me posicionar no que é a cidade e no que ela poderia ser. Tá sendo difícil perceber toda uma deterioração material, ética e moral da localidade e não se posicionar. Como filho da terra do sal e sol pensar e propor algo diferente do que está se apresentando se torna necessidade, a nossa responsabilidade social.

Estamos vivenciando o total fracasso de um modelo político capitaneado por um grupo de indivíduos, ancorados nos royalties de petróleo. Um grupo que propagandeou 20 anos de avanços e modernizações e que deixa uma cidade, um município em franca decadência.

Um modelo em que duas figuras revezaram a gestão e apenas sugaram alguns bilhões de reais sem uma estruturação real de Cabo Frio. Vimos gestores incapazes de pensar um município minimamente funcional e sustentável durante esses mais de 20 anos. Incompetência, burrice e canalhice é pouco pra adjetivar esse grupo.

Escolhas equivocadas em todos os campos, não há nada salvo no bojo e é desanimador perceber nosso patrimônio material se despedaçando, caindo aos pedaços e nosso patrimônio imaterial, que são as pessoas, inertes e desesperançosas.

De adesão a educação universitária privada ao investimento quase nulo em turismo e cultura. Não se teve nenhum pensamento a médio e a longo prazo do que poderia ser a cidade para no mínimo 3 ou 4 gerações e o que temos hoje? Anomia do funcionalismo púbico, deficiência do sistema de saúde e constantes paralisações da Educação.

E o grupo político permanece. Um grupo comprovadamente corrupto. Um grupo comprovadamente incompetente. E aí, o que vamos fazer? Qual será nossa reação? Digo que devemos pensar uma outra Cabo Frio, além do que esse grupo apresenta, pois eles provaram que não estão preocupados conosco. Não estão preocupados com os cabo-frienses. Não estão preocupados com aqueles que movimentam o território.

Precisamos gerar renda, conhecimento, movimento e esperança novamente. É fato. Não há defesa pra esse grupo, tem que haver rechaço, tem se haver uma limpeza e espaço para novas ideias com aqueles que realmente querem que a cidade, o município continue.

Antes de qualquer proposição minha, até, é uma convocação para aqueles que amam Cabo Frio a se posicionar e além de retirar o grupo político que insiste em querer sugar tudo aquilo que ainda faz a gente transitar por Cabo Frio, é querer uma outra coisa.

Incomoda nossas praias lotadas de lixo. Incomoda nossos patrimônios históricos caindo aos pedaços. Incomoda a Educação paralisada e as escolas precárias. Incomoda nosso teatro municipal fechado, sem previsão de retorno. Tanta coisa incomoda e pouca gente falando, pouca gente se posicionando de fato.

Vamos pensar uma outra Cabo Frio? É meu convite, é meu apelo, é minha prova de amor a minha raiz e espero que assim como eu, você queira algo diferente. A minha proposição básica é chamá-los para a linha de frente, a partir do entendimento do fracasso da gestão de 20 anos capitaneada pelos royalties e fazer algo novo, com nossas mãos no processo.

E nossas mãos no processo é criar um outro parâmetro, uma outra história, em que não esquecemos no nosso passado, mas que realmente valorizemos nosso futuro com políticas públicas reais para todos e todas, sem hesitação.

Por uma outra Cabo Frio! Quem me acompanha?


Foto da capa Alexandre Costa Filmagens Aéreas 

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