Uma feira que aproxima as pessoas

Na Praça da Ferradura, a cultura buziana na essência da humanidade

por Flávia Rosas
Enquanto controvérsias saltitam dos museus para a arena política do Brasil depois do cancelamento da exposição Queermuseu, em Porto Alegre, e da guerra nas redes sociais (e não só nelas!) após uma performance no MAM, em São Paulo, a Feira Periurbana da Ferradura, em Búzios, comemora três anos, a difundir com maestria – e alegria! – a diversidade cultural buziana. Na cidade ninguém passa mais sem a feira! Adultos, jovens e crianças de Búzios estão viciados: em ovos caipira, frutas orgânicas e hortaliças da estação, gastronomia, literatura, artesanato, música e Ubuntu, a filosofia africana que nutre o conceito de fraternidade em sua essência.
Os organizadores, feirantes e frequentadores, mantém com inspirada sabedoria o relacionamento entre as pessoas. Por lá, todos bem sabem que o mundo não é uma ilha e que a natureza humana torna imprescindível partilha, respeito e união. Nas barracas dos 90 feirantes que estruturam a feira livre pode-se descobrir de tudo e muito mais. Como em todas as feiras, na Praça da Ferradura as pessoas compram, vendem, interagem, conversam, trabalham, brincam, comem. Sem falar que participam de eventos cada vez mais frequentes, com uma diversidade de apresentações artísticas. A feira é um espaço orgânico, alegre e colorido, com opções de dar inveja a qualquer cidade. Uma espécie de rede colaborativa que investiga soluções criativas para o desenvolvimento saudável do arranjo produtivo da cultura em suas grandezas ética, estética e econômica. O encadeamento de ideias que concebeu a feira surgiu dos lampejos criadores do Hamber Carvalho e conta hoje com a preciosa colaboração dos coordenadores Luiz Alberto Kunz, Sônia Regina e Soninha Carvalho, que montam a programação de eventos juntamente com o Cléber da Lunamare (responsável pela tenda musical), recebem as sugestões de parcerias e são responsáveis por todo o cuidado do ambiente. E que ambiente! Todos ali presentes parecem que saíram de casa dispostos a trocar, sorrir e interagir com o outro.
É como se a vitalidade do espaço inspirasse os frequentadores a firmarem relações de confiança. Curioso perceber que durante alguns horas, todas as quintas e sábados, não só é possível mas imprescindível criar uma abertura no anonimato das interações humanas e permitir que o prazer de levar a vida em comum se manifeste com todo seu vigor e ternura. Na feira o espaço é aberto e generoso. As pessoas trocam receitas, palavras, sorrisos e sentem não apenas o cheiro da fruta madura e dos acecipes, compreendem que o protocolo social é magistralmente rompido e, seguramente por isso, ninguém evita trocas de olhares e nem mantêm atitudes de reserva. Porque na Feira Periurbana de Búzios são todos iguais e ali aflora crenças, conhecimentos e costumes, a cultura buziana na essência da humanidade com os semelhantes.
Como jornalista aprendi a contragosto que a notícia é tudo aquilo que alguém não quer ver publicado. Somos preparados para desvendar o crime, o delito, o feito incorretamente. Num mê

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