“A decisão foi puramente técnica” é a afirmação do Governo de Búzios

Entrevista com o prefeito de Búzios André Granado e o secretário de saúde Fábio Waknin

O setor de urgência do município de Búzios, que estava funcionando desde o ano passado na Policlínica do bairro Manguinhos, retornou nesta segunda-feira (1º) para as dependências do Hospital Municipal Rodolpho Perrisé, no bairro São José. A notícia (uma matéria completa) foi dada em primeira mão pelo Prensa – e a informação não chegou pelos canais da Prefeitura. O canal de comunicação da Prefeitura foi mais uma vez ineficaz para levar aos munícipes de Búzios uma informação tão aguardada.  A informação foi captada in loco, na tarde do dia 27 de julho, durante a inauguração da quadra poliesportiva do bairro São José, e depois nossa equipe caiu dentro na apuração.

O prefeito fez a afirmação sem tons de solenidade ou energia politica, algo incomum. Talvez Sandro Peixoto esteja certo e André ainda não seja um politico. Talvez por falta deste tal “ar solene ou tom politico” a comunicação oficial não tenha sentido a urgência de comunicar a novidade sobre a urgência (há uma redundância proposital nessa frase que uso na tentativa de trazer um pouco de humor ao texto, acho que não deu certo. Mas agora já foi).

O certo é que foi feito um anúncio de um ato já organizado para acontecer, visto que o local já estava até fisicamente preparado pra isso, como se pode notar no dia da reabertura. Mas a Prefeitura deixou um vácuo. Antes de todos o presidente da Câmara de Vereadores de Búzios, o Sr. Cacado, postou em seu perfil no Facebook uma nota em que comunicava, de alguma forma, o retorno do setor de urgência para o prédio do Hospital (usando o termo inexato de reabertura do Hospital. É  fato que internação e emergência, além da maternidade,  se mal ou bem é outra história,  aconteceram neste período em que a urgência funcionou  na Policlínica de Manguinhos. Então o Hospital não estava exatamente fechado).

No entanto, o presidente da Câmara afirmou que a decisão do prefeito se dava pela pressão causada por ele e os outros cinco vereadores de oposição. Preferiu falar em primeiro plano dentro de uma página com o seu nome, abrindo mão de um comunicado oficial pelos canais da Câmara de Vereadores. Propositalmente ou não, trouxe pra si, aos olhos de quem o leu, o protagonismo dos méritos que afirmava, em nota, ser dele e de mais cinco colegas.

No blog Iniciativa Popular Búzios, do Sr. Luiz Gomes, Cacado e os outros cinco são chamados de G6 (Grupo dos 6). Em uma de suas postagens o Sr. Gomes dá este tom também, de que era um conquista dos seis vereadores em questão – no caso aqueles cinco que ficaram contra a convocação de concursados logo no início do mandato (são seis porque se juntou a esses posteriormente o vereador Dom, que era da base governo. Mas votou a favor da abertura do processo de impeachment do prefeito André Granado e com isso passou automaticamente a ser oposição).

“Depois de muita luta e muitas tentativas por parte dos Vereadores de oposição, o Prefeito reconheceu que um município que recebe uma verba de 60 milhões por ano, somente para a saúde, não pode ter um hospital fechado…”, diz um trecho da nota do presidente da Câmara.

Havendo a narrativa do Prensa  (que se propõe a ser um portal de notícias regional), que buscou manter o tom jornalístico da notícia, e a narrativa opinativa do Inciativa Popular Búzios, uma característica natural dos blogs, membros do governo partiram para  dar a sua versão dos fatos por canais pessoais. Como foi o caso da vereadora Joice Costa e o vereador Niltinho de Beloca.  Posteriormente o prefeito André Granado emitiu uma nota oficial onde, entre outras coisas, afirmava que a decisão havia sido apenas técnica.

O Prensa buscou o prefeito André Granado e o secretário de saúde de Búzios, Fábio Henrique Passos Waknin para, através da indagação, tentar ir mais a fundo em todo o teor que envolve e processo de retorno do setor de Urgência para o Hospital. O Prensa também solicitou uma entrevista com o presidente da Câmara de Vereadores de Búzios. Aguardamos resposta.

Prensa de Babel: Sendo direto: o Hospital estava fechado ou não?

Prefeito André Granado: O Hospital nunca fechou.  Houve foi à transferência do setor de urgência para a Policlínica. As razões já foram ditas: porque a demanda vinda de fora do município estava ultrapassando a nossa capacidade física. Temos um planejamento de orçamento e a conta não ia fechar.  Mas a decisão nem foi financeira, o certo é que iria a qualquer momento pôr em risco a qualidade no atendimento dos buzianos.

Prensa: E então a decisão é mesmo técnica? Se é, o  que foi determinante  para o retorno do setor de Urgência para o prédio do Hospital?

Prefeito: A decisão foi técnica. Isso estaria relacionado à questão de como estariam os municípios que trouxeram essa demanda pra gente.  Ter segurança de que eles conseguiram ao menos consolidar o problema deles. Se conseguiram montar as equipes, alavancar as internações, medicamentos, cirurgias. Fomos acompanhando os outros municípios até chegar o momento onde nos sentimos mais seguros para poder retornar o atendimento de urgência para o prédio do hospital. Reafirmando que o hospital sempre esteve aberto, centenas de pessoas foram operadas e os casos graves seguiram sendo atendidos, e a maternidade funcionando.

Prensa: E na opinião do senhor, funcionou a estratégia de levar a Urgência para um outro local?

Prefeito: Funcionou. Na realidade a simples mudança de endereço já fez com que as pessoas procurassem solução nos seus próprios municípios. Porque serviço de urgência não pode deixar de atender pacientes de nenhum lugar. Pode haver uma triagem bem feita para ver se a pessoa precisa ou não. Muitos vão pra urgência sem necessidade, quando o que precisam é um atendimento de consulta nos módulos médicos, postos de saúde.

Prensa: Dá pra afirmar que houve economia com esse ato?

Prefeito: Muita economia.  O problema é que se você fala em economia o primeiro pensamento é de que a pasta é saúde e que não se pode economizar. Mas não é bem assim. O que houve foi uma redução do consumo que estava muito acima do orçamento. E das coisas que a cidade tem condições de atender. Se continuássemos daquela forma aí íamos naufragar de verdade.

Secretário Fábio Waknin: A crise econômica do estado e do país continua. É preciso ficar alerta, houve demissões em outros município e cortes de salários. Se não tivéssemos tomado essa medida aqui teríamos ficado com salários atrasados e sem conseguir atender a população da cidade. Mantivemos o atendimento num outro lugar com os mesmos médicos e com um local climatizado e organizado, ninguém deixou de ser atendido durante esse período em que mudamos o local de atendimento. Esperamos nesse momento que a maior parte das pessoas agora atendidas no hospital sejam da cidade pensando na qualidade do atendimento.

Prensa: E o Hospital, digo estruturalmente mesmo, está apto pra receber um provável aumento na demanda de urgência? Houve muitas denúncias de que estava em más condições. O Hospital está em condições de receber as pessoas?

Prefeito: Um prédio que foi inaugurado prematuramente em 2004 e depois reaberto em 2005, precisa de manutenção contínua. Existia maçaneta quebrada, estofado de cadeiras que precisavam ser restaurados..  Sobre equipamentos, desde 2013 foram recolocados, equipe completa. O essencial está funcionando.

Secretário: O elevador, infelizmente é a única coisa que não está funcionando, mas ainda no mês de agosto o elevador vai ser reativado. A questão foi um processo administrativo, só uma empresa pode fazer o reparo desse elevador. Uma situação muito complicada e não havia ninguém para competir e tivemos de esperar. Seria essa a única coisa que fica sem funcionar, o elevador. No máximo 15 dias para estar em ordem.

Prensa: De verdade a pressão dos vereadores de oposição não influenciou em nenhum momento?

Secretário : Não houve  nem clamor popular, não houve nenhuma manifestação, por exemplo. Sinal que a população absorveu e entendeu bem o que estava acontecendo.  O motivo de retorno é técnico e de gestão. Veio do próprio prefeito a decisão de reabrir a urgência.  A Câmara chegou a afirmar que não aprovariam nada do Executivo enquanto não houvesse o retorno do setor de urgência (que eles sempre chamaram de “reabrir o Hospital”) para o Rodolpho Perrisé mas vejam que nem sempre essa pressão houve, e eles aprovaram as emendas importantes  que precisavam ser aprovadas.  Creio com isso que eles entenderam que não tinha sentido. Não houve pressão nem politica.

Prefeito: Foi técnica, já estava nos planos, o que acontece é que a população tem dificuldade de entender como funciona a saúde, o hospital nunca esteve fechado. As pessoas precisam entender como funciona a saúde publica.

PSF – doença crônica, que precisa de acompanhamento , pré-natal,  preventivo e atendimento pediátrico, previamente marcada para fazer prevenção.

Policlínica – centro de especialidades médicas, encaminhamento de especialistas.

Assim deve ser o caminho da saúde e assim é que estamos trabalhando.

Prensa: E não houve também pressão do Ministério Público como se pode imaginar?

Secretário: O MP arguia as condições de atendimento e por que estava fechado, houve recomendações, mas nenhuma ação para que se reabrisse o Hospital.

Prensa: Houve acusações de óbitos por negligência. O que realmente aconteceu?

Prefeito: Quando questionam sobre a questão do atendimento, abrimos um procedimento administrativo, caso identifique a negligencia dos profissionais, tomamos as medidas cabíveis, nossa realidade hoje é de um município com 30.000 habitantes – segundo o IBGE, mas que atende uma demanda fixa de 50,60 mil. Um publico maior de idosos, consequentemente doenças como AVC, insuficiência renal e pacientes complexos. Quando não tínhamos hospital e CTI às pessoas que eram internadas não morriam em Búzios.

E é importante a Comunicação ter um papel importante de conscientização. Hábitos de saúde são importantes, não fumar, beber, comer menos sal, ter bons hábitos de exercícios fixos, não adianta não ter bons hábitos de saúde e achar que não vai ter doenças e que não precisa do hospital. Pessoas optam por maus hábitos de saúde.

 

 

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